Teerã- O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, inaugurou ontem a unidade de produção de água pesada de Arak, no centro do país, destinada ao abastecimento de um reator nuclear construído junto ao local.
A usina fica perto do povoado de Jondab, e é protegida por uma dezena de baterias antiaéreas. A água pesada produzida será usada como líquido de esfriamento e fluido moderador da atividade do reator experimental de 40 megawatts, que deve ser concluído em 2009.
''A produção de água pesada começou no último dia 11 de julho, e hoje é a inauguração oficial'', informou um responsável pela unidade, que pediu para não ter o nome divulgado. Segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Hamid Reza Assefi, citado hoje pela TV pública, o país ''considera o início das atividades nesse complexo parte de seus direitos legais e internacionais''.
Em resolução aprovada no último mês de fevereiro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu que o Irã reconsiderasse a construção do reator, que produzirá uma quantidade significativa de plutônio, usado na fabricação de armas nucleares.
A inauguração aumenta o temor dos países ocidentais sobre os verdadeiros fins do programa nuclear iraniano, que Teerã classifica de totalmente pacíficos, enquanto americanos e europeus temem a fabricação de bombas atômicas. O Conselho de Segurança da ONU deu ao Irã um prazo até 31 de agosto para aplicar a resolução. Caso o país se negue, poderá enfrentar sanções.
Ahmadinejad afirmou ontem que os iranianos defenderão ''com força'' seu direito de acesso à tecnologia nuclear. ''Não se pode privar nenhum povo de seus direitos, e o povo iraniano irá defendê-los com força'', disse o presidente, em entrevista coletiva.
Ahmadinejad garantiu que o Irã não representa uma ameaça aos demais países, nem mesmo para Israel. ''A mensagem do povo iraniano é de paz, calma e coexistência de todos os povos, com base na justiça'', disse. Mas Israel considera o programa nuclear iraniano uma ameaça a sua existência.
A tecnologia de reatores com água pesada já foi usada por Índia e Paquistão para fabricar a bomba atômica. Presume-se que Israel e Coréia do Norte também a tenham utilizado para obter sua suposta capacidade nuclear militar.

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