O papa João Paulo II definiu como ‘‘importante e promissor’’ o encontro que teve ontem com o presidente iraniano, Mohammad Khatami, o qual encerrou no Vaticano sua histórica visita à Itália - a primeira de um líder iraniano a um país do Ocidente desde a Revolução Islâmica, em 1979.
Não há informações sobre o conteúdo da conversa das duas máximas autoridades religiosas mundiais - Khatami é também presidente da Organização da Conferência Islâmica, formada por 55 países. O encontro durou cerca de 25 minutos e contou com a presença de dois intérpretes.
Temas como direitos humanos, o processo de paz no Oriente Médio, o papel do Irã na região e, principalmente, a situação da minoria católica no Irã - cerca de 10 mil fiéis - foram discutidos na reunião que o presidente Khatami teve com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Angelo Sodano, logo após o encontro com o papa.
Segundo o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, o encontro entre os dois líderes religiosos foi cordial e ocorreu ‘‘num clima ameno e positivo’’, marcado pelo tom de diálogo entre cristãos e muçulmanos que João Paulo II tem promovido com muito afinco durante todo seu pontificado e intensificado em vista do jubileu do ano 2000.
‘‘Ao fim de minha estada na Itália e depois desse encontro com o senhor, volto à minha pátria cheio de esperança para o futuro’’, disse Khatami ao papa, pouco antes de deixar a biblioteca pontifícia. ‘‘A esperança é de vitória final da ética e da moral, com a paz e a reconciliação’’, disse ao pontífice, a quem pediu que orasse por ele. Na porta de saída, um dos membros da delegação oficial de Khatami, de 12 pessoas, fez questão de abraçar e beijar o papa, quebrando o protocolo, para surpresa geral.
Um pequeno grupo de dissidentes iranianos conseguiu aproximar-se do local e manifestar-se em frente da basílica. O presidente do Conselho da Resistência Iraniana, Massoud Rajavi, enviou uma carta ao papa, na qual afirma que os mulás do Irã são como os fariseus que Jesus Cristo descreveu como serpentes em ninho de víboras. ‘‘Eles se apresentam como cordeiros, mas são lobos ferozes’’, diz, citando o Evangelho segundo São Mateus.France PresseHistóriaFoto oficial do encontro de João Paulo II com o presidente do IrãAssimina Vlahou
Agência Estado

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