Quito O coronel da reserva e ex-golpista Lucio Gutiérrez assumiu ontem a presidência do Equador para o período 2003-2007 em substituição a Gustavo Noboa, depois de prestar juramento no Congresso Nacional. Gutiérrez, que participou de uma rebelião civil-militar que derrubou o presidente constitucional Jamil Mahuad, em janeiro de 2000, foi investido pelo presidente do Congresso, Guillermo Landázuri, diante de sete presidentes latino-americanos e delegações de 70 países.
À cerimônia estiveram presentes os chefes de estado Fidel Castro (Cuba), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Hugo Chávez (Venezuela), Alvaro Uribe (Colômbia), Alejandro Toledo (Peru), Ricardo Lagos (Chile) e Gonzalo Sánchez de Lozada (Bolívia).
''Por Deus, por minha Pátria e por meu povo, a quem amo intimamente, juro'', afirmou Gutiérrez ao tomar posse, que cumprirá a Constituição e as leis da República e que velará pela manutenção da soberania, pela defesa da integridade e pela independência de Estado. Gutiérrez também se comprometeu a respeitar a instituição da democracia no desempenho das funções para as quais foi eleito em votação popular.
Depois, o chefe de cerimonial da Chancelaria, Manuel Pensantes, colocou a faixa presidencial (com as cores do país, amarelo, azul e vermelho) no coronel da reserva. A faixa possui o escudo nacional no centro e a frase ''Meu poder na Constituição''.
De soldado a presidente No dia 21 de janeiro de 2000, a fina silhueta do coronel Lucio Gutiérrez destacou-se no Congresso Nacional em apoio a uma rebelião de indígenas que derrotou o presidente Jamil Mahuad. Três anos depois voltou ao local para assumir o poder, como presidente da República.
Nasceu em Quito há 47 anos, mas muito cedo foi levado a Tena, uma aldeia em plena selva da Amazônia, onde ainda mora seu pai, um camponês e agricultor que ontem o acompanhou na cerimônia de posse.
Casado, Gutiérrez foi professor universitário e participou da guerra do Cenepa em 1995 quando o Equador lutou com o Peru por uma parte da Amazônia.
Lucio, como o chama o povo, é um homem simples, a quem os psiquiatras descrevem como ''emocional e impulsivo''.
O psicólogo Jorge MuÀoz comentou que ''é tão impulsivo que não mede consequências'', pelo que é obrigado sempre a esclarecer suas palavras depois.
Uma de suas declarações mais polêmicas foi quando afirmou que todos os ex-presidentes da República deveriam estar na prisão porque de uma ou de outra forma seriam responsáveis pela corrupção que atinge o país.
Mais tarde retratou-se, mas os ex-presidentes não participaram da solenidade de posse.
O ex-militar que derrotou nas urnas a nata da política local, incluído o ex-presidente de direita León Febres Cordero (1984-1988), faz questão de dizer que não é comunista.

mockup