Presidente do Equador é destituído e vice assume
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Folhapress 
São Paulo - O Congresso do Equador destituiu do cargo o presidente Lucio Gutiérrez em meio a uma escalada dos protestos contra o governo. O vice-presidente Alfredo Palacio já assumiu o cargo. Os dois políticos estavam rachados. Logo após a destituição, a procuradora-geral do Equador, Cyntia Viteri, ordenou a prisão de Gutiérrez, cujo paradeiro era desconhecido até as 19h30 (de Brasília).
Segundo Viteri, Gutiérrez será preso por ter ordenado a polícia a reprimir as manifestações dos últimos dias, o que provocou a morte de duas pessoas. Uma sessão extraordinária do Congresso unicameral do Equador demorou menos de uma hora para chegar a uma decisão de destituir o presidente equatoriano por 62 votos a 0. Os outros 38 membros da casa, a maioria aliada de Gutiérrez, não participaram da aprovação da destituição.
Os opositores destituíram o presidente com base em uma cláusula na Constituição que diz que o governante pode ser removido do cargo se abandonar o poder. O parlamentar Ramiro Rivera, que propôs a moção, afirmou que, como Gutiérrez, segundo ele, não cumpriu as suas responsabilidades de presidente, o Congresso acabou por caracterizar como abandono do cargo.
A medida evita um desgastante processo de impeachment e é muito similar à que foi usada para destituir o presidente Abdala Bucaram, em 1997, por ''incapacidade mental''. As Forças Armadas, consideradas o fiel da balança no país, acataram imediatamente a decisão do Congresso e retiraram seu apoio ao presidente destituído.
A decisão de retirar o apoio das Forças Armadas foi feita pelo almirante Victor Hugo Rosero. Centenas de soldados que haviam feito um cordão de isolamento ao redor do palácio presidencial para proteger Gutiérrez dos manifestantes deixaram seus postos e desmantelaram todo o aparato de segurança.


