São Paulo - O presidente do Egito, Mohammed Mursi, chamou ontem o regime do ditador sírio Bashar Al Assad de ''opressor'' em relação aos confrontos com os opositores. Em protesto, a delegação síria saiu da sala durante a Cúpula de Países Não Alinhados, em Teerã, no Irã.
Em seu discurso, o mandatário egípcio disse que o governo de Assad perdeu a legitimidade com suas ações violentas e pediu à oposição que se una para buscar uma saída pacífica ao conflito. Ele pediu que seja impedida a generalização da guerra no país.
Mursi também ressaltou o papel importante da revolução egípcia na formação de governos democráticos no Oriente Médio, qualificando-a como ''a pedra angular'' e ''um exemplo'' para outros países da região que reclamaram mudanças políticas.
O Egito foi o segundo país do Oriente Médio a conseguir a saída de um ditador do poder durante o fenômeno conhecido como Primavera Árabe, depois da Tunísia.
Os movimentos tiveram reflexo no Bahrein, no Iêmen, na Líbia e na Síria, que ainda enfrenta confrontos entre rebeldes e a ditadura de Bashar Al Assad.
Em fevereiro de 2011, Hosni Mubarak foi destituído, dando lugar a uma junta militar que convocou eleições para o último mês de junho. No pleito, venceu Mohammed Mursi, que foi presidente do braço político da Irmandade Muçulmana.
Incitar violência
Em resposta ao discurso de Mursi, o chefe da diplomacia síria, Walid Muallem, acusou o presidente egípcio de ''incitar o prosseguimento do banho de sangue na Síria''.
''A delegação síria abandonou a sala para protestar pelo conteúdo do discurso de Mursi, que é uma interferência nos assuntos internos sírios e uma incitação para que prossiga o banho de sangue na Síria'', afirmou Muallem.
Além de falar sobre a Síria, Mursi ainda defendeu o direito do Irã e de outros países de produzir artefatos nucleares e a criação de um Estado palestino, medida advogada por diversos dos 120 países participantes, em especial os do Oriente Médio.

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