Marielle Eudes
France Presse
De Moscou
Boris Yeltsin conseguiu transformar a Rússia acabando com a União Soviética (URSS) e o planejamento centralizado mas deixou a economia do país no caos ao fracassar em sua tentativa de reconstrução.
‘‘Perdão pelo que parecia fácil e se tornou doloroso e penoso’’, disse ontem em sua mensagem de despedida.
Yeltsin promoveu difíceis reformas econômicas. Desde o desmoronamento da URSS em dezembro de 1991, lançou junto com o premier ultraliberal Egor Gaidar uma ‘‘terapia de choque’’.
Os preços foram liberados, as taxas de câmbio unificadas, a propriedade privatizada, o monopólio estatal do comércio exterior abolido, criou-se o Tesouro Federal, o rublo ganhou conversibilidade, instaurou-se uma vasta reforma fiscal.
‘‘Yeltsin instituiu as pautas de uma economia de mercado, embora não conseguisse acabar com todos os venenos do antigo sistema’’, comentou Christopher Granville, economista do banco Fleming UCB.
Mas logo o ‘‘leão’’ democrata e liberal dos primeiros anos se cansou.
Milhões de russos ficaram submersos numa situação de pobreza enquanto o sistema educacional e de saúde se desmoronou enquanto se estendia a máfia.
Rússia, endividada até o pescoço, não poderá aceder aos mercados financeiros internacionais durante anos, o sistema bancário desmoronou e o poder aquisitivo dos russos caiu mais ainda.
‘‘Quero pedir-lhes perdão’’, disse Yeltsin na despedida. ‘‘Perdão’’ por ‘‘não ter correspondido às expectativas daqueles que acreditavam que podíamos passar de um passado cinza, totalitário, estancado, para um futuro claro, rico e civilizado’’.

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