Presidente da Líbia pode estar a caminho da Venezuela, diz chanceler britânico
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Redação FolhaWeb com Agências 
O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou hoje (21) que há informações de que o líder líbio Muamar Khadafi deixou seu país rumo à Venezuela, em meio aos protestos populares que pedem a sua saída do poder.
Os indícios são comboios de veículos vistos deixando a capital e uma movimentação acima do comum no aeroporto de Trípoli.
Para Leyne, é um indicativo de que Khadafi não pretende abandonar seu país, mas retrair-se da capital, para onde os protestos migraram na noite de ontem e na manhã de hoje.
O regime comandado por Muammar Khadafi, há 40 anos no poder, lançou uma dura campanha de repressão contra os protestos.
Segundo dados de organizações médicas e de direitos humanos, mais de duzentas pessoas teriam morrido desde o início dos protestos na semana passada. Os manifestantes líbios pedem a renúncia de Khadafi, nos moldes da revolução egípsia.
Tensão nas ruas
Testemunhas afirmam que manifestantes que saíram às ruas da capital, Trípoli, na noite de domingo, foram atacados por forças de segurança com armas de fogo e gás lacrimogêneo.
Nesta segunda-feira, há relatos de que as ruas da cidade estavam tranquilas, com forças do governo patrulhando a Praça Verde, um local que vem sendo usado pelos manifestantes.
Houve sons de tiros nas primeiras horas da manhã, e bombeiros tentavam controlar um incêndio em um prédio do governo no centro da cidade, a Assembleia do Povo, que foi incendiada por manifestantes.
Benghazi, a segunda cidade do país, estaria nas mãos de manifestantes. Segundo testemunhas, a polícia fugiu de Zawiyah, a oeste da capital, e a cidade teria caído no caos. Há relatos de que muitos moradores estariam fugindo para a vizinha Tunísia.
O filho de Khadafi Saif Al-Islam advertiu que uma guerra civil poderia eclodir no país. Em um longo pronunciamento pela TV, ele prometeu reformas políticas, mas afirmou também que o regime "lutaria até a última bala", contra "elementos dissidentes".
Grã-Bretanha
Nesta segunda-feira, o governo britânico chamou o embaixador líbio em Londres para uma reunião com o objetivo de expressar "a absoluta condenação" do uso de força contra manifestantes.
O ministro do Exterior britânico, William Hague, também disse ter ligado para Sayf al-Islam Khadafi no domingo para demonstrar forte insatisfação com o rumo dos acontecimentos no país.
Hague disse que a Líbia deve permitir a entrada de observadores internacionais no país para conduzir investigações sobre o uso de violência e pediu a abertura da internet no país, o fim da repressão a jornalistas e a proteção de cidadãos estrangeiros.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que as exigências dos manifestantes são legítimas e pediu pelo fim da violência na Líbia.
Venezuela
A Venezuela negou que Muamar Khadafi, esteja seguindo para uma visita ao país sul-americano. Em resposta às declarações Hague. Fontes do governo em Caracas disseram à agência France Presse que "não havia contato" com Khadafi ou sua administração, em um momento de protestos no país do norte africano.
Mais cedo, Hague afirmou que não havia informações específicas sobre a suposta viagem de Kadafi, mas notou que tinha "visto informações sugerindo que ele estava a caminho". O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e Khadafi mantêm boas relações. Não há, porém, nenhuma confirmação oficial da viagem.
Saída
O governo dos Estados Unidos ordenou hoje que todos os funcionários não-essenciais saiam da Líbia e advertiu os cidadãos norte-americanos que evitem viajar para o país. "O Departamento de Estado ordenou a todos os familiares de funcionários da embaixada e pessoal não-emergencial que deixem a Líbia", diz um comunicado.
"Cidadãos norte-americanos na Líbia devem diminuir a quantidade de viagens dentro do país, ser extremamente cautelosos ao se deslocarem e limitar todas as viagens após o cair da noite. Cidadãos norte-americanos que não deixarem a Líbia devem fazer preparativos para se proteger", diz o texto.


