Presidente da Indonésia não renuncia
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sábado, 03 de fevereiro de 2001
Associated Press De Jacarta 
O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, enfrentando a pior crise de seu mandato, prometeu ontem lutar para se manter no cargo mesmo com a moção de censura aprovada pelo Parlamento. Não há o que discutir sobre se eu vou renunciar. Eu não vou deixar o cargo até o final do meu mandato em 2004, declarou Wahid em uma mesquita em Jacarta.
Wahid rechaçou também as alegações de que ele planeja destituir vários altos funcionários do governo e oficiais militares. Segundo o presidente, seus opositores propagam rumores como parte de uma guerra psicológica para prejudicá-lo.
Por toda a Indonésia há pedidos para que ele deixe o cargo ou permaneça fora das investigações iniciadas depois que o Parlamento o censurou diante das acusações de envolvimento em desvio de US$ 6 milhões. Segundo um dos porta-vozes dos legisladores, Amien Rais, que já foi aliado de Wahid e agora faz parte do grupo de oposição, o demorado processo de convocar uma sessão especial para decidir sobre a questão deveria ser contornado para evitar instabilidade no país depois da moção de censura. A hemorragia deve ser estancada; caso contrário, a situação se tornará pior, declarou.
O partido de Rais foi um dos vários que se uniram a Wahid 15 meses atrás, e que agora o abandonaram. O porta-voz do Parlamento Akbar Tandjung, outro ex-aliado do mandatário, disse que Wahid deve manter-se de fora enquanto as autoridades investigam o escândalo. Ele é acusado de desviar cerca de US$ 4 milhões de um fundo de pensão da empresa estatal Bulog, além de receber uma misteriosa doação do sultão de Brunei.
A vice-presidente da Indonésia, Megawati Sukarnoputri membro do maior partido do país, o Partido Indonésio Democrático (PDI-P) possui o futuro do governante em suas mãos. Ela é considerada a mulher que se tornou o ícone da democracia nos últimos dias do ditador Suharto. O PDI-P sustentou a censura a Wahid alegando que o mandatário agiu impropriamente. Megawati, que não quer ser vista empurrando para fora do poder o primeiro presidente eleito democraticamente, tem permanecido em silêncio. Wahid tem insistido em não renunciar alegando que possui o apoio irrestrito da vice-presidente.
SuhartoPor outro lado, uma corte indonésia declarou culpado em um caso de corrupção, ontem, a Mohamad Bob Hasan, um amigo íntimo do ex-ditador Suharto e o sentenciou a dois anos de prisão.


