Em resposta a pedidos de políticos e sindicalistas para encurtar seu mandato, o presidente da Bolívia, Hugo Banzer, assegurou ontem que cumprirá todo seu mandato constitucional, que expira em 2002, apesar da grave crise que seu país atravessa.
Banzer surpreendeu a população ao falar, por uma cadeia de rádio e televisão, sobre a crise social, política e econômica enfrentada por seu governo.
O presidente boliviano – que foi eleito em 1997, depois de ter chefiado, entre 1971 e 1978, um governo autoritário – pediu ao líder do principal partido opositor, O Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Gonzalo Sánchez de Lozada, que não enfraqueça a democracia.
‘‘Por favor, peço ao ex-presidente (Sánchez de Lozada) que medite, porque este não é o melhor serviço que ele pode prestar ao país, não porque me tenha pedido que vá (embora). Não vou, tenho em mãos a Constituição, e não irei até 6 de agosto de 2002’’, disse Banzer.
Na segunda-feira, Sánchez de Lozada pareceu sugerir a possibilidade de renúncia de Banzer ao falar em um programa noturno de televisão, afirmando que em certas ocasiões é preciso assumir o mesmo ‘‘gesto heróico’’ do ex-presidente Siles Zuazo – quando este renunciou em 1985 e antecipou as eleições em razão de uma profunda crise econômica.
No entanto, Sánchez esclareceu que não está conspirando contra Banzer e, sim, que é o próprio governo que o está fazendo; o líder oppositor disse ainda que se o atual presidente não devolver aos bolivianos o direito de eleger seus governantes, ele ‘‘cairá sozinho’’,
Os protestos sociais recrudesceram na segunda-feira.
Na última quinta-feira, Banzer disse ter tido uma conversa telefônica confidencial com Sánchez, na qual pediu ao ex-presidente (1993-1997) que participasse de uma reunião política que debateria a formação de um pacto político.
Banzer indicou também que naquela ocasião o líder do MNR, candidato favorito às eleições presidenciais de 2002, havia concordado em iniciar um diálogo para a superação da crise.

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