Presidente da Bolívia entrega cargo ao Congresso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de março de 2005
Folhapress 
São Paulo - O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, entregou ontem a carta de renúncia de seu cargo ao Congresso, deixando nas mãos dos legisladores (de maioria oposicionista) o destino de seu futuro político. O anúncio da oferta da renúncia de Mesa havia sido feito no último domingo por meio das TV colombianas.
O Congresso deve se reunir hoje para avaliar e aceitar ou não a renúncia-surpresa de Mesa, que está à frente do governo boliviano há 17 meses. Como a maioria do Congresso é liderada por Evo Morales, um dos principais líderes da oposição boliviana esquerdista do Movimento al Socialismo (MAS) , o resultado sobre a renúncia permanece incerta. O presidente é um político independente, e não conta com nenhuma base de apoio. Caso sua renúncia seja aceita, o presidente do Senado, Hormando Vaca Diez, assumirá o cargo de chefe do país.
Se o Congresso aceitar a oferta de renúncia esta será segunda vez que um presidente boliviano desiste de seu cargo. Há menos de dois anos, sob protestos Gonzalo Sanchez de Lozada renunciou à Presidência devido a uma onda de protestos violentos que provocou a morte de mais de 60 pessoas. Mesa, que assumiu após a desistência de Lozada, pretendia governar o país até 2007, quando terminaria seu mandato.
Chantagem- No último domingo, Morales afirmou que o anúncio de renúncia do presidente da Bolívia, Carlos Mesa, era uma ''chantagem contra os movimentos sociais'', segundo o jornal ''Lá Razón''.
O anúncio de Mesa, feito na noite de domingo e veiculado pela imprensa do país, levou milhares de pessoas à sede do governo, em La Paz. A multidão pediu a Mesa que não deixe seu cargo. Em resposta, o presidente apareceu na sacada para saudar as pessoas. Mas manifestações de apoio a Mesa também ocorreram em outras partes do país.
Morales, é líder dos plantadores de coca, e considerado dirigente da oposição pelo presidente Mesa, que assumiu o poder após outubro de 2003. Durante seu discurso veiculado na TV, Mesa atacou duramente Morales, culpando-o pelo ''caos'' no país, e também responsabilizou o líder social Abel Mamani e a elite boliviana pelo clima de insegurança na Bolívia.
Morales, que na primeira etapa do governo deu apoio a Mesa, ameaçou, na semana passada, paralisar o país para pressionar a aprovação de uma lei de hidrocarburetos que aumente as taxas pagas pelas multinacionais de 18% para 50%. A Câmara dos Deputados, entretanto, optou por manter a taxa e criar um imposto adicional de 12%.
Empresário da área de comunicações, Mesa tornou-se conhecido em todo o país por ser âncora de TV. Quando assumiu, recebeu apoio político para permanecer na presidência até 2007.
Um governo moderado, como o de Mesa, poderia levar a Bolívia à erradicação do cultivo de coca matéria-prima para a produção de cocaína atendendo às demandas dos Estados Unidos, que têm em sua política de controle às drogas o fim das plantações nos países latino-americanos. Esse é um dos maiores ataques da oposição contra Mesa, que defendem o plantio de coca como meio de subsistência às famílias pobres na região rural.


