Presidente da Bolívia convoca Constituinte
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de junho de 2005
Das agências 
La Paz - O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, anunciou ontem sua decisão de convocar uma Assembléia Constituinte e um referendo sobre a autonomia das províncias para o próximo dia 16 de outubro. ''O país está vivendo um momento de extrema urgência, vive uma situação de confronto de altíssimo risco e neste contexto não podemos esperar até a próxima terça-feira'', como determinou o Congresso para discutir estas questões.
Mesa pediu o fim da onda de protestos contra o governo e solicitou à Igreja Católica que convoque um encontro nacional de pacificação do país. O Congresso fracassou ontem, pela terceira vez nesta semana, na busca de um consenso entre as forças parlamentares para a votação de uma agenda de superação da crise.
O presidente do Congresso, Hormando Vaca Diez, não conseguiu instalar a sessão plenária do Parlamento ao naufragar as gestões em busca do consenso sobre os dois temas que dividem os bolivianos: a Assembléia Constituinte e o referendo sobre as autonomias regionais.
Uma nova sessão foi convocada para a terça-feira, em meio a profundas divergências entre os legisladores, que seguem ignorando o clamor popular pela nacionalização do petróleo e do gás bolivianos. Vaca Diez acusou ''uma bancada'', supostamente a do Movimento Ao Socialismo (MAS), de Evo Morales, de impedir a retomada dos debates legislativos, contrariando o que foi acertado durante o dia entre os legisladores.
Os bloqueios e paralisações continuavam ontem na capital boliviana, La Paz, e no resto do país, mesmo depois do anúncio do presidente Carlos Mesa, convocando a Assembléia Constituinte e a realização de um referendo sobre a autonomia dos departamentos.
Apesar da tensão, o governo defendeu a posição de Mesa. ''O decreto é constitucional e não está violando ninguém'', afirmou o vice-ministro da Justiça, Carlos Alarcón, durante uma entrevista à imprensa realizada ontem no Palácio Quemado, sede do governo. Alarcón também disse que o presidente ''não podia esperar mais'' para determinar a realização da assembléia e do referendo, porque a situação no país era ''de incerteza''.


