O presidente do governo da Aliança do Norte, no poder em Cabul, Burhanudín Rabani, se mostrou ontem contrário a um governo não eleito e à formação de uma força multinacional numerosa. ''A força internacional poderia ter 100 ou 200 homens, ou um pouco mais que isso, mas não acho que seja necessário algo maior'', disse Rabani em entrevista coletiva no Palácio Presidencial.
A força multinacional de paz, sugerida pela ONU, esteve no centro da polêmica, e desde o início os meios governamentais se mostraram reticentes em aceitá-la.
No entanto, os porta-vozes da Aliança na Conferência de Bonn admitiram essa possibilidade nos últimos dias.
Segundo meios de comunicação ligados ao governo, Rabani é quem mais se opõe a qualquer cessão de poder ou ao envio de tropas estrangeiras, enquanto seus ministros mais jovens, representados por Yunes Kanuni, porta-voz de seu governo na Alemanha, são muito mais abertos e dispostos ao consenso.
Além das tropas, Rabani se mostrou contrário aos acordos feitos em Bonn sobre a formação imediata de um governo e um órgão legislativo interino.
''O conselho de líderes (espécie de legislativo) e os membros do governo deveriam ser escolhidos pelo voto popular; outra alternativa não seria aceitável'', disse Rabani.
Para ele, seria factível organizar eleições em dois meses ou menos.
No entanto, parece difícil que as eleições legislativas possam ser realizadas em um país sem conexões telefônicas, sem tribunais que legitimem os resultados e com estradas em muitos casos inutilizáveis, e ainda com uma grande quantidade de minas que não foram desativadas.
MulheresO presidente Rabbani fez ontem, durante uma entrevista coletiva à imprensa em Cabul, um discurso favorável ao voto das mulheres afegãs e à participação delas no sistema político. ''As mulheres devem poder eleger e ser eleitas'', disse Rabbani.
A chegada da Aliança à capital afegã, no último dia 13, supôs uma tímida abertura em relação ao regime anterior, caracterizado pela forma brutal de tratar as mulheres.

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