O presidente chinês Jiang Zemin, de 71 anos, inicia hoje uma delicada visita oficial de oito dias aos EUA, durante a qual enfrentará múltiplas manifestações hostis por parte de organizações de defesa dos direitos humanos, de simpatizantes de Taiwan ou do Tibete e de dissidentes chineses.
Oito anos depois da sangrenta repressão na Praça da Paz Celestial em 1989, as imagens dos soldados disparando contra civis indefesos continuam mostrando como a China é vista nos EUA.
Os chineses sugeriram que Washington controlasse os excessos. ‘‘Somos convidados do governo. É uma questão de protocolo’’, advertiu a Embaixada chinesa em Washington. As autoridades norte-americanas responderam que não poderão impedir nada.
Os acontecimentos da ‘‘Primavera de Pequim’’ causaram danos difíceis de reparar na opinião pública norte-americana, afirmou Karlyn Bowman, especialista de pesquisas no American Enterprise Institute de Washington.
Jiang, que chega hoje a Honolulu (Havaí), onde visitará um monumento em memória dos soldados mortos em Pearl Harbor, irá depois a Williamsburg, Washington, Filadélfia, Nova York, Boston e Los Angeles. Vários atos oficiais previstos poderão voltar-se contra ele - como o repicar do sino da Liberdade.
‘‘Vamos ver um espetáculo raro: o ‘carniceiro de Pequim’ tocando o sino da Liberdade, sendo insultado por dissidentes e pela esquerda progressista em Boston, e depois indo a Los Angeles, onde acabam de ser lançados vários filmes antichineses’’, disse Robert Manning, do Conselho das Relações Exteriores.

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