Ansa
De Grozny, Rússia
O presidente da república separatista russa da Chechênia, Aslan Maskhadov, propôs ontem ao governo federal um plano de paz para pôr fim aos bombardeios da Rússia contra o território checheno, os quais já provocaram a morte de pelo menos 4 mil pessoas, segundo as autoridades locais. Um comunicado da presidência chechena salienta que Maskhadov condenou o terrorismo e aceitou que sejam processados os rebeldes chechenos acusados de crimes.
A proposta de Maskhadov teria quatro pontos: a união dos esforços das repúblicas caucasianas para evitar ‘‘provocações nas fronteiras’’, por meio da criação de uma força de paz; criação de estruturas jurídicas para enfrentar o banditismo e o terrorismo; um acordo proibindo unidades militares ilegais; formação de um grupo de especialistas para coibir essas organizações. O Kremlin não emitiu nenhum comunicado sobre a proposta.
Ao mesmo tempo, Maskhadov fez novo apelo ontem à comunidade internacional para que intervenha na crise do Cáucaso, de modo a encerrar as hostilidades e evitar ‘‘a eliminação do povo checheno’’. Essa declaração e a proposta ao Kremlin foram feitas no mesmo dia em que uma delegação da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) chegava à vizinha república russa da Ingushétia para avaliar a situação dos cerca de 200 mil refugiados chechenos ali abrigados.
O chefe da missão da OSCE, o norueguês Kim Traavik, frisou que o conflito ‘‘não é um assunto interno russo’’, numa enfática referência à insistência do Kremlin em não aceitar intromissão externa na questão. Traavik disse que, após a visita à Ingushétia, irá a Moscou buscar uma solução pacífica para o conflito. Os refugiados estão vivendo em barracas, situação que se agrava com a chegada do inverno. Eles não têm aquecimento nem roupas suficientes.
Mas o governo russo antecipou-se ontem à OSCE e voltou a rechaçar a mediação externa. As autoridades russas temem que a questão chechena se transforme no tema principal da cúpula da OSCE, de terça a quinta-feira da semana que vem, em Istambul, na Turquia.
A Rússia enviou tropas à região depois que rebeldes islâmicos, vindos da Chechênia, invadiram a república russa do Daguestão, em agosto e setembro. Eles também são responsabilizados por Moscou pela onda de atentados que matou cerca de 300 pessoas no país há dois meses.
Os militares russos não estão dispostos a interromper as operações enquanto não controlarem todo o território. O comandante das forças russas na região, Viktor Kazantsev, afirmou ao diário russo ‘‘Trud’’ que os militares ‘‘irão até o fim’’. A aviação russa continuou ontem bombardeando a república.
Em Moscou, persistem os boatos de que os militares podem dar um golpe e derrubar Yeltsin, que, com a saúde abalada, entrou ontem novamente em férias.

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