Presidente ameaça fechar Congresso
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Reuter, de Quito 
France PresseConfrontoGrevistas enfrentam a polícia, no centro de Quito, em choques que já deixaram nove pessoas feridasA crise social e política no Equador, iniciada em 8 de janeiro com o aumento de até 300% nas tarifas públicas, se agravou ontem com a mobilização das forças armadas para neutralizar uma paralisação geral e a ameaça presidencial de dissolver o Congresso.
Poucas horas depois do início da greve geral de 48 horas contra a política econômica do governo, o presidente equatoriano, Abdalá Bucaram, decretou estado de mobilização em todo o país, enquanto a polícia reprimia manifestantes nas proximidades da sede do Parlamento com bombas de gás lacrimogêneo. Pelo menos nove pessoas ficaram feridas nos conflitos entre policiais e grevistas.
A medida de exceção decretada por Bucaram, prevista pela Constituição, proíbe a paralisação de serviços civis e militares considerados essenciais. O não-cumprimento dessa determinação sujeita os infratores a penas que variam entre três meses e três anos de prisão.
Os partidos de oposição a Bucaram, que aderiram maciçamente à greve convocada pelas centrais sindicais, querem que o Parlamento equatoriano abra um processo de impeachment contra o presidente, baseado num artigo constitucional que prevê a destituição do chefe de Estado por incapacidade mental de governar.
Em um discurso transmitido terça-feira à noite por uma rede de rádio e televisão, Bucaram reiterou seu apoio à greve geral - contra seu próprio governo -, mas advertiu que o movimento estava sendo utilizado por um minúsculo grupo de conspiradores e aproveitadores. Os opositores acusam Bucaram de ser corrupto, indigno e arbitrário.
De acordo com um funcionário do Legislativo, que pediu anonimato, o presidente teria ameaçado dissolver o Congresso, caso os 82 deputados acatem o pedido da oposição e decidam abrir o processo de impeachment contra ele.
O secretário-geral das Organizações dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, estava ontem viajando a Quito a pedido do governo equatoriano a fim de tentar achar uma saída para a crise. A visita está sendo rechaçada por sindicalistas e grevistas, que prometem impedir seu desembarque à força.
Bucaram tem sido criticado por dedicar grande parte de seu tempo às suas apresentações como cantor em shows de iê-iê-iê, por ter gravado um disco e por insistir em se eleger presidente do Barcelona, um clube de futebol.


