Presidente ameaça esmagar oposição
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segunda-feira, 29 de dezembro de 1997
Hugh Nevill France Presse Nairóbi 
France PresseCampanhaPartidários do presidente Daniel Arap Moi aproveitam o último dia de campanha para convencer o eleitorado em NairóbiO presidente queniano Daniel Arap Moi, que pretende ganhar um quinto mandato de cinco anos nas eleições gerais que se realizam hoje, costuma pregar paz, amor e união, mas já ameaçou seus adversários dizendo que pode esmagá-los como ratos. O septuagenário que, na infância, cuidava das vacas de seu pai e, segundo a lenda, caminhava 28 quilômetros por dia para ir à escola, dirige com mão de ferro seu país desde 1979 e é um dos últimos dirigentes africanos da velha guarda.
Quando chegou a independência, em 1963, Daniel Arap Moi dirigiu vários ministérios até ser nomeado vice-presidente pelo pai da independência, Jomo Kenyatta, em 1967.
Durante um tempo, se manteve à sombra do experiente dirigente e foi considerado por muitos politicamente insignificante. Entretanto, depois mostrou sua habilidade e sucedeu a Kenyatta após sua morte, em 1978.
Com o passar dos anos, os adversários de Moi foram detidos por sedição ou obrigados a retirar-se da vida pública.
Desde as eleições de 1992, quando os choques tribais causaram a morte de 2 mil pessoas, a oposição vem acusando o presidente e seu partido, a União Nacional Africana do Quênia (Kanu), de fomentar a violência.
Os 29 milhões de habitantes do Quênia sofrem as consequências da deterioração das infra-estruturas, da delinquência, corrupção policial e de uma inflação superior a 11%.
O principal argumento da oposição nas eleições é a péssima situação social do país, onde a extrema pobreza de muitos é paralela à imensa riqueza de outros.


