O presidente do Paraguai, Luis González Macchi, dispensou ontem os chefes das Forças Aéreas e de duas poderosas unidades da cavalaria do exército, consideradas redutos do ex-general golpista Lino César Oviedo, atualmente asilado na Argentina.
González Macchi - que sucedeu Raúl Cubas, que renunciou ao cargo e asilou-se no Brasil, em seguida à crise deflagrada com o assassinato do vice-presidente Luis Maria Arga¤a - designou Carlos Ovando como novo chefe da Força Aérea para substituir Osvaldo Faría - ambos generais -, a quem é atribuída simpatia por Oviedo.
Faría foi promotor do segundo tribunal militar extraordinário, que durante o governo Cubas libertou Oviedo, condenado anteriormente a 10 anos de prisão por tentativa de golpe de estado em 1996 contra o então presidente Juan Carlos Wasmosy. Essa sentença foi anulada pela Corte Suprema de Justiça.
Também foram dispensados os comandantes da Primeira Divisão de Cavalaria, general Armando Roux, e do Terceiro Regimento, coronel Víctor Maldonado. Roux foi substituído pelo coronel Gustavo Pi¤eiro enquanto Maldonado teve seu lugar ocupado pelo coronel Sigifredo Ferreira.
A Cavalaria é a arma do ex-general Oviedo e foi exatamente na poderosa Primeira Divisão que o ex-golpista refugiou-se em 1996 quando atentou contra as instituições do Paraguai, então presidido por Wasmosy.
Tanto a Roux quanto a Maldonado é atribuída também simpatia por Oviedo. Eles são considerados seus principais apoiadores durante a recente crise que culminou em 28 de março com a renúncia de Cubas e a fuga do ex-militar à Argentina.
González Macchi vem realizando mudanças, substituições e dispensas nas forças militares, como na Polícia Nacional, desde que assumiu a primeira magistratura.
Suspeito preso Um pistoleiro ‘‘arrependido’’, que se entregou à Justiça temendo ser morto numa operação de queima de arquivo, pode ser a chave para resolver o assassinato do vice-presidente paraguaio, Luis María Arga¤a, ocorrido dia 23.
A Rádio Uno, de Assunção, informou ontem sobre a existência da testemunha, acrescentando que ela está sob responsabilidade do juiz encarregado do caso. Ainda segundo a rádio, as fontes judiciais ouvidas pela emissora não deram detalhes sobre o ‘‘arrependido’’ para não prejudicar as investigações.
Arga¤a foi morto por vários tiros perto do centro de Assunção depois de seu carro ter sido fechado por um Fiat Tempra, provavelmente roubado em São Paulo, do qual saíram disparando três ou quatro homens que vestiam uniforme militar. O vice-presidente recebeu dez tiros. No atentado, morreu também o segurança de Arga¤a.
Um dos assessores jurídicos do novo governo paraguaio, Jorge Vasconcellos, assegurou à Rádio Uno que a testemunha existe, mas também não quis dar mais detalhes sobre o assunto.
Preços O Instituto Nacional de Estatística do Paraguai informou que o índice de preços ao consumidor subiu 0,2% em março. A alta acumulada nos 12 meses até março foi de 9,3% e nos primeiros três meses de 1999 foi de 0,8%. O resultado é considerado muito bom, inclusive porque indica que a crise política não provocou altas de preços no mercado.

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