Clinton adiou por vários horas ontem sua partida para duas semanas de férias na ilha de Martha’s Vineyard, em Massachusetts, para explicar a amigos, conselheiros e membros de seu gabinete por que manteve a mentira durante mais de sete meses, alimentando a teoria iniciada por sua mulher, Hillary Clinton, de que as alegações sobre seu caso com Lewinsky não passavam de ‘‘uma vasta conspiração da extrema-direita’’.
Assessores presidenciais descreveram como ‘‘traumáticas’’ as conversas que Clinton teve com a mulher e a filha nos últimos dias, durante as quais admitiu a elas o caso de 18 meses que teve com Lewinsky. Clinton, que completa hoje 52 anos, tinha 49 quando começou o ‘‘affair’’ com a jovem, então com 22.
De acordo com uma pesquisa CNN/Instituto Gallup, a porcentagem da população que tinha uma opinião pessoal favorável ao presidente caiu de 60% para 40% após o discurso, que um abatido Clinton fez algumas horas depois de ter se sujeitado a um interrogatório de mais de quatro horas por Starr, na Casa Branca, no primeiro depoimento prestado por um presidente americano numa investigação criminal.
De acordo com informações vazadas ontem à imprensa, durante a confrontação, ocorrida na Sala de Mapas da mansão presidencial e foi transmitida por circuito fechado de televisão aos 23 membros do Grande Júri popular que investiga se houve ação criminosa no escândalo, Clinton recusou-se a responder a várias perguntas. Essas perguntas envolviam detalhes gráficos de seus encontros com Lewinsky. Clinton alegou que elas estavam abaixo da dignidade de seu cargo. O presidente deixou a sala mais de um vez por longos períodos e recusou-se a continuar o interrogatório além do tempo que havia sido previamente acordado. Diante disso, Starr comunicou-lhe que poderá intimá-lo novamente a depor, uma iniciativa que poderia levar a uma crise constitucional, se Clinton recusar-se a prestar novo depoimento. (P.S.)

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