Presidente abandonou Kiev e estaria no leste do País
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sábado, 22 de fevereiro de 2014
France Presse 
Kiev,Ucrânia - O poder do presidente Viktor Yanukovytch, que viajou para o leste da Ucrânia, desmoronou ontem em Kiev, onde o Parlamento aprovou a libertação da líder opositora Yulia Timoshenko e a oposição assumiu cargos importantes.
O Parlamento votou uma resolução para libertar "imediatamente" Timoshenko, líder da Revolução Laranja pró-Ocidente de 2004 e adversária derrotada por Yanukovytch nas eleições de 2010.
Pouco antes, o braço direito de Timoshenko, Olexander Turchinov, foi eleito presidente do Parlamento, onde substitui uma pessoa ligada a Yanukovytch, Volodymyr Rybak, que renunciou durante a manhã.
O Parlamentou também designou outro aliado de Timoshenko, Arsen Avakov, como ministro do Interior interino. Também neste sábado, a polícia ucraniana declarou estar "ao lado do povo" e compartilhar suas aspirações de "mudanças rápidas", em um comunicado publicado em nome de todos os agentes do ministério do Interior.
Ao mesmo tempo, diversas fontes afirmaram que Yanukovytch abandonou Kiev e estava na cidade de Jarkiv, na região leste pró-Rússia da Ucrânia, onde seu governo tem apoio político, ao contrário do que acontece no oeste do país.
Um congresso das regiões ucranianas pró-Moscou foi inaugurado justamente neste sábado em Jarkiv, na presença de deputados e governadores russos.
Quase 10.000 partidários de Yanukovytch - que não participa no congresso - se reuniram diante do local em que acontece o congresso para apoiar o governo.
Um dos líderes da oposição, Vitali Klitschko, anunciou aos deputados que Yanukovytch havia deixado Kiev e pediu ao Parlamento a "aprovação de uma resolução que exija que Yanukovytch apresente a renúncia".
Mais cedo, jornalistas do Kanal 5 informaram que entraram sem dificuldades na residência de Yanukovytch, habitualmente muito vigiada, na periferia de Kiev. Manifestantes estavam a apenas 50 metros da entrada da presidência no centro da capital, outro local habitualmente submetido a uma rígida vigilância.
Tudo acontece um dia depois da assinatura de um acordo entre o governo e a oposição para tentar acabar com a crise no país, que deixou dezenas de mortos nos últimos dias.
O acordo prevê importantes concessões de Yanukovytch, sob crescente pressão da comunidade internacional: eleições presidenciais antecipadas, a formação de um governo de unidade nacional e o retorno à Constituição de 2004, que dá mais poderes ao Parlamento e ao governo.
Um dia depois do acordo, quase 40 deputados do governista Partido das Regiões anunciaram a saída da formação.
Todos os acontecimentos das últimas horas deixam a sensação de um vácuo de poder na capital da ex-república soviética, que enfrenta a crise mais grave desde a independência de Moscou em 1991, após a queda da União Soviética.
"Exigimos eleições presidenciais antecipadas antes de 25 de maio", pediu Klitschko.
Em Maidan (Praça da Independência de Kiev), praticamente uma zona de guerra, milhares de pessoas permaneciam reunidas neste sábado, perto de barricadas. E não havia sinal de desocupação da área pelos opositores.


