Preocupação e 'alegria' com a agonia de Sharon
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sexta-feira, 06 de janeiro de 2006
France Presse 
Ramallah, Cisjordânia- A Autoridade Palestina mostrou-se preocupada ontem com a saúde do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que está entre a vida e a morte, mas nos territórios palestinos a população não demonstrou compaixão pelo líder israelense.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, ligou para o gabinete de Sharon, de 77 anos, para se informar sobre seu estado de saúde, e o primeiro-ministro Ahmad Qorei desejou um pronto ''restabelecimento'' por meio de uma mensagem.
Qorei afirmou que o desaparecimento de Sharon ''deixará um grande vazio em Israel'', em declarações à imprensa em Ramallah (Cisjordânia). ''É um fato que terá repercussões em Israel e em toda a região'', acrescentou.
Paladino durante longo tempo da colonização dos territórios palestinos e partidário da linha-dura para reprimir a rebelião civil palestina conhecida como Intifada, Ariel Sharon é o inimigo dos palestinos, que o acusam principalmente de ser responsável pelos massacres nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no Líbano, quando era ministro de Defesa, em 1982, e de ter provocado a segunda Intifada ao se aproximar, em setembro de 2000, da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, quando era líder da oposição.
Dirigentes palestinos, no entanto, acreditavam que Sharon, uma autoridade forte e popular em seu país, podia, à frente de seu novo partido Kadima, chegar a um acordo de paz com os palestinos demonstrando pragmatismo, como fez ao autorizar a retirada da Faixa de Gaza em setembro, depois de 38 anos de ocupação.
As manifestações de simpatia da Autoridade Palestina contrastam com as reações dos grupos radicais Hamas e Jihad Islâmica.
''A região será um lugar melhor sem Sharon. O mundo está a ponto de se livrar de um dos seus piores líderes'', disse à AFP em Gaza o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri. ''O que acontece com Sharon é uma vontade divina reservada aos déspotas e aos malfeitores'', acrescentou.
Nas ruas, os palestinos pareciam se deleitar com as notícias alarmistas sobre a evolução da saúde do primeiro-ministro israelense, que na noite de quarta-feira sofreu um grave derrame cerebral.
Jovens palestinos considerados membros do Fatah, o movimento do presidente da Autoridade Palestina, distribuíram ontem doces a motoristas e pedestres em Rafah, na Faixa de Gaza.
''Estamos contentes porque Sharon está moribundo e esperamos que desapareça o quanto antes, já que matou nossas crianças, destruiu nossas casas e deixou os palestinos nas ruas'', disse à AFP o membro do Fatah Abdelrauf Barbaj.
Basima Badua, que mora em Ramallah (Cisjordânia), vivia no Líbano quando ocorreram os massacres de Sabra e Chatila. ''Fiquei muito contente quando minha filha me avisou à noite que (Sharon) agonizava''.
''Depois, fiquei colada à TV para acompanhar o fim do monstro'', acrescentou.


