ANCARA - A coalizão do primeiro-ministro turco, o integrista Necmettin Erbakan, manobrou ontem para ganhar tempo depois de ser forçada a aceitar uma ordem do Exército para lançar uma ofensiva contra o fundamentalismo muçulmano - de onde vem parte da base de apoio do governo.
Segundo a imprensa local, uma integrante da coalizão, a vice-primeira-ministra Tansu Ciller, pediu que as planejadas medidas antiintegristas sejam levadas a debate no Parlamento, numa aparente tática para adiar sua colocação em prática.
‘‘Queremos que o Parlamento tenha um debate geral, para que tudo possa ser discutido’’, disse Tansu, segundo o jornal Hurriyet. ‘‘Nada está acima do Parlamento.’’
Erbakan, o primeiro integrista a liderar a Turquia moderna, reduziu a tensão entre o governo e o poderoso Exército ao assinar, na quarta-feira, uma declaração do Conselho de Segurança Nacional (dominado pelos militares) exigindo que seja contida a militância islâmica. O Exército, secularista, tem manifestado temores de que o Partido do Bem-Estar, de Erbakan, force a transformação do país num Estado islâmico.

mockup