Associated Press
De Grozny, Rússia
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, empenhou-se ontem em negar que tropas federais houvessem atacado três dias antes um ônibus lotado de refugiados chechenos na república russa da Ingushétia, matando 41 pessoas e ferindo várias outras – segundo autoridades da Chechênia. Se confirmado, foi o pior incidente com civis desde o início dos bombardeios contra a república separatista russa da Chechênia, no dia 5 de setembro.
Preocupado em minimizar as críticas à invasão do território checheno e enfatizar que a guerra é contra os rebeldes islâmicos ali concentrados – e não contra a população –, o primeiro-ministro fez o desmentido durante a inauguração de um centro de informações à imprensa. O serviço foi criado para transmitir dados ‘‘confiáveis’’ sobre o conflito no norte do Cáucaso, disse ele.
Na recepção, ontem, à delegação enviada pela União Européia (UE) a Moscou com propostas de mediar o conflito, o chanceler Igor Ivanov deixou claro que o país considera a questão um problema interno, informou a agência russa Interfax. Já o presidente checheno, Aslan Maskhadov, fez um apelo anteontem para que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) interceda.
A artilharia russa continuou a atacar ontem vilarejos no norte da Chechênia. Colunas de tanques seguiam para essa região, na qual as tropas federais aparentemente consolidaram suas posições. Aviões militares decolam em intervalos de 15 minutos para bombardear as bases de guerrilheiros islâmicos em território checheno.
O Exército controla um terço do território checheno, segundo o Ministério da Defesa. O objetivo dos militares é criar uma zona de segurança entre a Chechênia e o restante da Rússia para evitar a incursão de rebeldes islâmicos na república russa do Daguestão. Em agosto e setembro, eles tomaram vários povoados daguestaneses, mas foram expulsos pelas tropas federais.
As autoridades chechenas continuam organizando suas forças em Grozny, onde avaliam que serão travadas em breve batalhas tão ferozes como as ocorridas durante a Guerra da Chechênia (1994-1996). Nesse conflito, pelo qual os chechenos lutaram pela independência, morreram cerca de 100 mil pessoas, sem que os russos conseguissem dobrar os rebeldes.

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