Ansa, Deustche Presse
e France Presse
O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, está sendo acusado pela oposição e pelos extremistas islâmicos de seu país de ter ‘‘cedido às pressões do Ocidente’’ ao aceitar retirar as forças mistas paquistanesas - soldados e guerrilheiros - da Caxemira indiana.
As organizações extremistas islâmicas que apóiam a guerra contra a Índia pelo controle da Caxemira ameaçaram voltar-se contra o governo de Islamabad.
Qazi Hussain Ahmad, líder do mais forte partido extremista do Paquistão, disse ontem que o governo ‘‘não tem nenhuma justificativa legal ou moral para retirar os guerrilheiros das montanhas de Kargil, pois as posições conquistadas foram obtidas mediante inúmeros sacrifícios’’.
Também a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, presidente do principal partido de oposição do país, advertiu que o Paquistão ‘‘entrará em guerra civil’’ no caso de retirada sem contrapartidas de Kargil - região da Caxemira onde ocorrem os combates.
A Índia não se pronunciou ontem sobre as conversações em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton e Sharif. Os combates na Caxemira continuavam ontem com forte ofensiva indiana.
Os detalhes do acordo acertado anteontem com Sharif e o presidente Bill Clinton não foram divulgados. No entanto, um porta-voz do governo norte-americano afirmou que os Estados Unidos esperam a ‘‘retirada das forças paquistanesas’’. Por outro lado, o governo de Nova Délhi disse que espera conhecer os detalhes do mesmo.
Os Estados Unidos esperam uma rápida retirada das forças apoiadas pelo Paquistão que se encontram há cerca de dois meses na parte indiana da região da Caxemira. Segundo a Casa Branca, durante o encontro de anteontem em Washington, o premier Nawaz Sharif prometeu que as tropas de seu país sairiam prontamente da região de Kargil.
Apesar da promessa de Sharif, persiste a dúvida sobre se o Paquistão tem condições de controlar os guerrilheiros muçulmanos que entraram na Caxemira indiana a partir de território paquistanês.
Em declaração conjunta, divulgada após o encontro, Clinton e Sharif disseram que é preciso ‘‘tomar medidas concretas para separar as tropas para permitir que se alcance um cessar-fogo’’.
O governo da Índia afirmou ontem que continuará com suas operações militares contra os invasores apoiados pelo Paquistão e que não está considerando nenhuma proposta de cessar-fogo para a região da Caxemira.
Clinton telefonou para o premier indiano, Atal Behari Vajpayee, para informá-lo sobre o resultado de suas conversações com Sharif.
As forças indianas aceleraram ontem seu avanço na região de Tiger Hills, para obter uma vitória militar essencial contra os combatentes muçulmanos infiltrados no Estado indiano de Jammu e Caxemira, que Nova Délhi afirma estarem sendo apoiados pelo Paquistão.
Até a noite de ontem não houve qualquer posição divulgada por Nova Délhi, sobre as conversações do domingo, entre o primeiro-ministro Nawaz Sharif e o presidente Bill Clinton.
Fontes oficiais dos Estados Unidos confirmaram que Washington esperava uma retirada paquistanesa em Caxemira.
Assim que o exército indiano tomou a estratégica região de Tiger Hills, controlando a rota entre Srinagar e Leh, o foco das tensões militares se transferiu para outras áreas de combate ao longo da Linha de Controle, que divide a região da Caxemira, controlada pela Índia e pelo Paquistão.
Segundo os militares indianos, o alvo agora é Batalik, mais a Leste, onde as tropas indianas estiveram imobilizadas durante semanas.‘‘A tática (em Batalik) será semelhante à empregada em Tiger Hills, com bombardeios aéreos, ataques de artilharia e depois ofensivas terrestres’’.
Índia e Paquistão já travaram três guerras desde a partilha do país em 1948, duas delas causadas pela divisão da Caxemira. Em março, os dois países causaram preocupação no mundo todo com a realização de testes nucleares. Forças integristas de ambos os lados falam abertamente em usar a bomba atômica contra o inimigo.

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