Associated Press
De Tóquio
O ex-jornalista Yoshiro Mori, eleito ontem o novo primeiro-ministro do Japão, anunciou que manterá em seu governo todos os ministros da administração de seu predecessor, Keizo Obuchi, que está entre a vida e a morte em um hospital de Tóquio depois de sofrer um derrame cerebral no domingo.
‘‘Quero dar ao povo um governo no qual possa confiar’’, disse Mori, que prometeu dar sequência às reformas econômicas iniciadas por Obuchi. A indicação de Mori, de 62 anos, para a chefia de governo foi aprovada ontem pelas Câmaras Alta e Baixa do Parlamento pouco depois de ele ter sido eleito presidente do Partido Liberal Democrático (PLD). Pela tradição, o presidente do partido governista é indicado como primeiro-ministro.
Não houve nenhuma oposição a ele, graças a sua cômoda maioria na Câmara dos Deputados e o apoio prestado pelos sócios da coalizão de governo, o Novo Komeito e o Partido Conservador ‘‘Hoshuto’’, criado apenas há três dias.
A Câmara dos Deputados, que tem 500 cadeiras, deu a Mori 335 votos. No Senado, ele obteve a aprovação de 137 de seus 252 membros. Mori é um dos líderes mais poderosos do partido no governo e preside uma das maiores facções do PLD.
Mori afirmou que não convocará eleições gerais antecipadas como alguns de seus assessores haviam sugerido. ‘‘Tenho outras tarefas para realizar. É importante que o Parlamento esteja funcionando adequadamente’’, disse Mori descartando a idéia de que seria forçado pela pressão da oposição a convocar eleições antes de julho, quando o Japão será sede de uma cúpula do G-8 (os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia).
Ele também disse que sua prioridade será manter as conquistas de Obuchi, assegurando que a economia se mantenha na via de crescimento depois de uma recessão de dois anos.
Mori manifestou o mesmo ponto de vista de seu predecessor sobre a economia, dizendo que a situação é grave, mas que o Japão caminha para uma recuperação total. Segundo ele, o governo deve confirmar essa recuperação antes de tentar reduzir a imensa dívida do Japão.
Uma de suas primeiras tarefas será um encontro na Rússia com o recém-eleito presidente do país, Vladimir Putin, no fim do mês. Eles discutirão uma antiga disputa territorial sobre uma parte das Ilhas Kurilas, ao norte da ilha japonesa de Hokkaido.

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