Premier eleito visita o túmulo de Rabin
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Associated Press 
Enquanto aliados e rivais começavam a redesenhar ontem o mapa político de Israel, Ehud Barak aproveitou seu primeiro dia como premier eleito para fazer peregrinações a dois poderosos e simbólicos locais: o túmulo do assassinado primeiro-ministro Yitzhak Rabin e o Muro das Lamentações de Jerusalém.
Nas duas paradas, Barak - o decidido militar de carreira que impôs uma grande derrota ao primeiro-ministro linha dura Benjamin Netanyahu na eleição de segunda-feira - bateu nos mesmos temas de paz e reconciliação que o ajudaram a conquistar sua notável vitória.
Deste local, judeus têm rezado por gerações, e é justo que daqui a mensagem de fraternidade seja enviada, disse Barak no Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.
No túmulo de Rabin, a quem Barak chama de seu comandante e mentor, ele colocou uma pequena pedra na lápide de granito preto num gesto tradicional de luto e lembrança. Rabin foi assassinado a tiros em 1995 por um ultranacionalista judeu oposto à entrega de terras aos palestinos.
Durante os anos de Netanyahu, enquanto o processo de paz afundava, Rabin mal foi mencionado pelo primeiro-ministro.
Um ciclo foi fechado aqui no túmulo de Yitzhak Rabin, afirmou Barak. Uma possibilidade foi aberta para preencher o legado de Yitzhak Rabin, e eu estou comprometido com este caminho.
O tom baixo, melancólico, foi um forte contraste com os tumultos empolgantes das 24 horas anteriores. Netanyahu, esmagado na votação de segunda-feira, reconheceu a derrota mesmo antes da contagem dos votos e anunciou que estava renunciando à liderança de seu Partido Likud.
Ontem, israelenses ainda estavam esfregando os olhos num assombro coletivo. Uma manchete do jornal Maariv brincava com a palavra relâmpago - o nome de Barak em hebreu.
No áspero e tumultuado mundo da coalizão política israelense, duras negociações começaram como um prelúdio da formação de um novo governo. Barak tem 45 dias para isto; Netanyahu permanecerá como primeiro-ministro em exercício até lá.
Nas eleições para as 120 cadeiras do Knesset, ou parlamento, o grande vencedor foi o ultra-ortodoxo Shas, que conquistou 17 assentos e tornou-se o terceiro maior partido. Ainda é uma questão em aberto se ele vai participar do novo governo.
O campo de Barak não descartou uma aliança com o Partido Likud, agora que Netanyahu renunciou como seu líder. O Likud deve cair de 32 cadeiras para 19, enfraquecendo-o significativamente.
Por causa do antiquado sistema de cédulas de papel de Israel, os resultados oficiais finais só devem estar disponíveis na próxima terça-feira. Mas na contagem extra-oficial de 99,9% dos mais de 7 mil postos eleitorais, Barak tinha 56% dos votos e Netanyahu, 43,9% - uma vitória esmagadora para os padrões israelenses.


