Premiê reconhece responsabilidade por conflito
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2012
Folhapress 
São Paulo - O primeiro-ministro do Egito, Kamal Ganzuri, reconheceu ontem ser o responsável político pela briga de torcidas que aconteceu em um estádio na cidade de Port Said, em que pelo menos 74 pessoas morreram. ''Estou disposto a cumprir com qualquer instrução que me peça explicações, porque sei que sou o responsável político'', afirmou.
O premiê informou à Câmara Baixa do Parlamento e ao presidente da Federação de Futebol do Egito que destituiu os chefes dos serviços de Segurança e Inteligência de Port Said após a tragédia. A junta militar decretou luto de três dias em memória às vítimas do confronto.
Mais cedo, o presidente do Parlamento, Saad Katatni, do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), afirmou que a tragédia foi devido à ''deficiência e negligência'' das forças de segurança. ''Eles não cumpriram nem com sua missão nem com sua profissão pela falta de organização em relação a estes acontecimentos''.
Em uma sessão de emergência da Câmara Baixa, Katatni afirmou que ''houve advertências do que poderia acontecer que foram enviadas com tempo suficiente, mas esses avisos não alertaram as forças de segurança para fazer seu trabalho''.
Ele considerou que o confronto entre torcidas não é um incidente casual, mas faz parte de uma série de acontecimentos pela qual passa o país nos últimos meses.
Na quarta-feira, o Partido Liberdade e Justiça, que lidera o Parlamento do Egito, afirmou em comunicado que o confronto entre torcidas em um estádio de futebol em Port Said foi provocado por partidários do ex-ditador Hosni Mubarak.
Torcidas organizadas
Ontem, manifestantes e grupos de torcedores voltaram à Praça Tahrir, no Centro do Cairo, para protestar contra a briga entre fãs do Al Masry e do Al Ahly. As reivindicações para a saída da junta militar e a aceleração da transição democrática ganharam força após o incidente.
Grupos de torcidas organizadas do Egito fazem campanha contra a junta militar que governa o país. Em redes sociais, o grupo de fanáticos por futebol Ultras da Praça Tahrir, ameaçou o chefe dos militares, Mohammed Hussein Tantawi.
''Nós queremos a sua cabeça, traidor Tantawi. Você pode ter posto seu nome na história, mas foi arrogante e acredita que o Egito e seu povo vão dar um passo atrás e esquecer a revolução'', afirmaram na rede social Facebook.
Os torcedores que voltaram de Port Said pediam a execução de Tantawi, em gritos na estação de trem do Cairo. Sobre o luto, o Ultras Al Ahli publicou no Facebook uma mensagem crítica ao governo por não ter alocado policiais para a partida.


