Premiê pedirá perdão pela dor dos aborígenes
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Folhapress 
São Paulo- O governo da Austrália apresentou ao Parlamento o texto com o pedido oficial de desculpas que o primeiro-ministro, Kevin Rudd, transmitirá hoje, pedindo ''perdão pela dor, sofrimento e perda'' dos aborígenes.
Em nome do Legislativo, Rudd se dirigirá às vítimas da chamada ''geração roubada'', referindo-se aos mais de 100 mil menores aborígenes que entre 1910 e 1970 foram separados de suas famílias e entregues a famílias de origem européia, como parte de um programa governamental de assimilação cultural.
Apesar de especialistas temerem que o ''perdão'' dê lugar a uma onda de pedidos de indenizações por parte dos aborígenes, o novo Governo trabalhista decidiu incluir a palavra no texto.
Rudd, que ocupa o cargo de premiê desde novembro de 2007, declarou que o governo ''quer prestar uma homenagem aos proprietários da terra na qual está construído o Parlamento e os proprietários tradicionais de todas as terras do continente australiano''.
A decisão marca uma mudança na história política australiana, especialmente depois que o conservador John Howard, primeiro-ministro australiano entre 1996 e 2007, se recusou a fazer o pedido oficial de perdão.
Milhares de pessoas já se encontram em Canberra, hospedadas na chamada embaixada aborígene, estabelecida em 1972 em frente ao edifício do velho Parlamento, para ouvir o primeiro pedido oficial de desculpas.
Cerimônia aborígene
O Parlamento australiano abriu o ano legislativo de maneira inédita ontem com uma cerimônia tradicional aborígene. Uma anciã da tribo Ngambri, proprietária ancestral do terreno em que está construído o edifício do Parlamento, presidiu a cerimônia de ''boas-vindas ao país'' e entregou ''um bastão mensagem'', presente tradicional de sua cultura ao primeiro-ministro Kevin Rudd.
Vestida com uma capa de pele, Matilda House-Williams explicou aos parlamentares que ''o bastão mensagem é um meio de comunicação utilizado há milhares de anos pelos aborígenes para contar a história de nosso povo''.
A anciã recordou que o aborígene Jimmy Clemens, sozinho e descalço, foi barrado pela polícia em 1928 durante a inauguração do antigo edifício do Parlamento.
Os aborígenes são os habitantes que viviam na Austrália antes da chegada dos britânicos, em 1788. Desde então, foram marginalizados e sua população atual é de apenas 470 mil pessoas -antes, eles chegaram a ser 21 milhões.


