Imagem ilustrativa da imagem Premiê italiano oficializa renúncia
| Foto: Vicenzo Pinto/AFP
Referendo convocado por Renzi foi reprovado por 59,1% da população


Madri, Espanha - Matteo Renzi, premiê da Itália, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (7). Integrante do Partido Democrático, de centro-esquerda, ele já havia anunciado a demissão no domingo (4), após ser derrotado em um referendo para reformar a Constituição. No entanto, foi convencido pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, a adiar o plano até a aprovação do orçamento de 2017. O orçamento foi aprovado durante o dia pelo Parlamento, possibilitando sua saída.

Mattarella deve iniciar nesta quinta-feira (8) uma rodada de negociações com os principais partidos para nomear um novo premiê. Há pressão política para que o presidente convoque eleições antecipadas. O pleito está originalmente previsto para 2018. Alguns partidos, porém, querem que as eleições sejam convocadas o mais rápido possível. A pressa se deve aos planos de reformar a lei eleitoral. As regras atuais garantem a maioria parlamentar automática ao vencedor, mas o sistema deve voltar a ser proporcional antes de 2018. Renzi e aliados preferem que a lei seja reformada e apenas então as eleições sejam antecipadas.

Enquanto os próximos passos são determinados, a União Europeia acompanha a Itália com ansiedade. A crise política italiana pode abrir espaço para movimentos populistas como o antissistema Cinco Estrelas e o xenófobo Liga Norte. O Cinco Estrelas, em especial, questiona a integração europeia. Caso conquiste o poder, o partido poderia convocar um referendo sobre a permanência da Itália no bloco econômico - repetindo o "Brexit", a decisão britânica de sair da União Europeia.

CONSTITUIÇÃO
Renzi havia convocado um referendo para reformar a Constituição italiana. Durante a campanha, ele ameaçou renunciar ao cargo caso a mudança não fosse aprovada pela população no domingo (4) – o que ocorreu. A reforma previa, entre outras medidas, o esvaziamento do Senado. O número de senadores passaria de 315 a 100, sem eleição direta. O referendo foi reprovado por 59,1% da população. A rejeição ao governo de Renzi vem, em parte, de sua incapacidade de resolver os entraves da economia. O PIB (Produto Interno Bruto) italiano deve crescer apenas 0,8% neste ano.

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