São Paulo - O premiê da Tunísia, Mohamed Ghannouchi, afirmou ontem que levará aos tribunais os responsáveis pela repressão violenta aos protestos dos últimos dias. Ontem, no entanto, a polícia voltou a usar bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar mais de cem manifestantes que protestavam contra a presença de ministros do ditador deposto Zine El Abidine Ben Ali no novo governo de transição.
Os manifestantes gritaram frases contra o Reagrupamento Constitucional Democrático (RCD), partido de Ben Ali, em um protesto pequeno em relação aos dos últimos dias, mas um sinal de que o novo governo de unidade não trará tão rapidamente a calma e tranquilidade que Ghannouchi esperava obter. ''Podemos viver apenas com pão e água, mas não com o RCD'', gritaram os manifestantes. A polícia conseguiu dispersar o grupo, mas outros protestos estão previstos.
Ghannouchi, aliado próximo de Ben Ali, tenta conter a maior revolta dos últimos anos no país com declarações firmes de repreensão aos responsáveis pelos confrontos com os manifestantes - que deixaram ao menos 78 mortos e 94 feridos, segundo o ministro tunisiano do Interior, Ahmed Friaa.
Ele garantiu ainda que os ministros remanescentes do antigo governo ditatorial têm as ''mãos limpas'' e atuaram para ''preservar o interesse nacional''. ''Conservaram os cargos porque precisamos deles nesta fase de construção democrática, na qual temos que preparar as eleições em seis meses e garantir a segurança'', declarou Ghannouchi.

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