São Paulo - O primeiro-ministro da Somália, Ali Mohamed Gedi, chegou ontem a Mogadício, capital, e prometeu paz e estabilidade no país devastado pela guerra. A retomada da capital pelo governo interino foi possível depois que a guerrilha islâmica – que dominava Mogadício e grande parte do território no Sudoeste da Somália desde junho – efetuou uma retirada estratégica na quinta-feira. ‘‘Hoje é o começo de uma nova vida, da estabilização e de um novo futuro para a Somália’’, afirmou Gedi aos milhares de somalis que o receberam em Mogadício.
  A tarefa não será fácil. Violentos protestos em apoio aos guerrilheiros islâmicos tomaram conta de bairros da capital ontem, ao mesmo tempo em que as tropas governamentais anunciavam o controle efetivo de Mogadício.
  Apesar da chegada de Gedi simbolizar a vitória do governo interino na guerra entre o governo secular e as guerrilhas, a luta provavelmente continuará em vários pontos do país. O temor de que a guerrilha lance uma campanha terrorista na África é compartilhado por vários especialistas.
  Mesmo antes da chegada dos islâmicos, o governo do premiê era mantido afastado de Mogadício pelas violentas disputas por poder entre os clãs locais.
  Muitos na Somália, de maioria muçulmana, são céticos quanto à capacidade do governo de manter o controle e a soberania do país, especialmente após a aliança com a Etiópia. O país vizinho, com uma grande população cristã e um dos maiores Exércitos da África, empreendeu uma guerra sangrenta contra os somali em 1977.
  O líder do movimento político islâmico da Somália prometeu continuar a luta contra a Etiópia. ‘‘Não vamos abandonar a Somália’’, afirmou o xeque Sharif Ahmed, líder executivo do Conselho das Cortes Islâmicas. ‘‘Não iremos fugir de nossos inimigos.’’

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