Londres - O governo britânico ordenou, neste domingo (18), que seja revogada em 31 de outubro a lei que permitia a entrada do Reino Unido na União Europeia (UE).

O anúncio foi feito no momento em que o primeiro-ministro Boris Johnson se prepara para viajar para Alemanha e França, nesta semana. Ele se reúne com a chanceler alemã, Angela Merkel, na quarta, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, na quinta (22).

A escolha do dia da derrogação não é ao acaso. Esta foi a data anunciada para a conclusão do Brexit - após ser duas vezes adiado - e também é a data-limite prometida por Boris Johnson para deixar a UE, com ou sem acordo de saída.

"Este é um sinal claro para os cidadãos deste país: deixaremos a UE como prometido em 31 de outubro, independentemente das circunstâncias", disse o ministro responsável pelo Brexit, Steve Barcley, em um comunicado.

A decisão é acima de tudo simbólica, segundo Maddy Thimont Jack, do centro de análise política "Instituto de Governo", já que é um procedimento formal que "pode ser feito no último minuto".

O anúncio da revogação foi feito depois de ser publicada, neste domingo (18), uma carta assinada por mais 100 parlamentares. Nela, o grupo pede a Johnson que convoque imediatamente o Legislativo, interrompendo o recesso previsto para até 3 de setembro. Os signatários pedem que a Casa entre em sessão permanente até 31 de outubro. "Nosso país está à beira de uma crise econômica, enquanto nos dirigimos para um Brexit sem acordo", afirmam.

"Estamos diante de uma emergência nacional, e o Parlamento deve ser convocado imediatamente", acrescentam.

Boris Johnson, à esquerda, insiste no Brexit sem acordo de transição, mesmo sob o risco do Reino Unido enfrentar escassez de alimentos , gás e remédios
Boris Johnson, à esquerda, insiste no Brexit sem acordo de transição, mesmo sob o risco do Reino Unido enfrentar escassez de alimentos , gás e remédios | Foto: Jon Supin/ AFP

Oposição

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, principal força da oposição, quer organizar uma moção de desconfiança contra o conservador Boris Johnson quando o Parlamento retomar os trabalhos. "Precisamos é de um governo que esteja pronto para negociar com a União Europeia, para que não tenhamos uma saída catastrófica em 31 de outubro", disse Corbyn no sábado.

Se conseguir derrubar Johnson, Corbyn espera se tornar chefe de governo interino. Seu objetivo é buscar um novo adiamento da data de saída da UE para evitar um Brexit sem acordo e, finalmente, convocar eleições antecipadas. O governo de Johnson dispõe de uma maioria de apenas um voto no Parlamento.

No caso de um Brexit sem acordo, o Reino Unido enfrenta o risco de escassez de alimentos, gás e remédios, bloqueios de portos e o retorno de uma fronteira entre a República da Irlanda e a província britância da Irlanda do Norte, aponta um relatório do governo divulgado pelo jornal "The Sunday Times".

Merkel e Johnson terão encontro para discutir o Brexit

Berlim - A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a Alemanha está preparada para qualquer desfecho do Brexit, seja via um acordo de transição entre Reino Unido e a União Europeia, seja com a saída abrupta do segundo maior país do bloco, prevista para ocorrer em 31 de outubro.

Merkel fez a declaração durante um debate na chancelaria, depois do jornal britânico, The Sunday Telegraph, noticiar que o primeiro-ministro, Boris Johnson, irá visitar o presidente francês, Emmanuel Macron, e a própria Angela Merkel ainda essa semana.

A intenção do primeiro-ministro é reforçar, no encontro com Markel previsto para quarta-feira (21), que o Parlamento britânico não pode reverter o Brexit e que é preciso chegar a um acordo de transição para que país deixe o bloco. A previsão é que Johnson tente persuadir os outros líderes europeus a reabrirem as negociações do Brexit.

Na sexta-feira (17), o jornal Sunday Times divulgou documentos governamentais que revelam um cenário potencialmente caótico para o Reino Unido se um acordo de transição não for feito. O documento fala em falta de combustíveis, remédios e alimentos. E prevê também problemas como o "endurecimento" das fronteiras entre Irlanda e Irlanda do Norte, com verificação de todas as pessoas e mercadorias que transitam entre os dois países.

Merkel reforçou que Berlim está preparada para um "Brexit desordenado", mas que se dispõe a negociar e buscar soluções "até o último dia", se for necessário. A chanceler alemã defende que se chegue a um consenso, mas não descarta a alternativa de que talvez isso não seja possível. (Com Folhapress)

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