São Paulo - O primeiro-ministro da Tunísia, Mohamed Ghannouchi, anunciou ontem o novo governo de unidade nacional, que incluirá pela primeira vez membros da oposição no alto escalão. A medida é uma tentativa de acalmar a população, em meio a protestos e confrontos com as forças de segurança que levaram à fuga do ditador Zine El Abidine Ben Ali, que estava desde 1987 no poder.
Ghannouchi, aliado de longa data de Ben Ali e no cargo desde 1999, e os ministros de Defesa, Interior e Relações Exteriores mantiveram seus postos na mudança. Mas, em uma medida rara em um país de governo ditatorial, três figuras da oposição, incluindo Nejib Chebbi, fundador do partido da oposição PDP, assumirão postos no governo.
O primeiro-ministro disse ainda, em entrevista a jornalistas, que qualquer suspeito de corrupção ou enriquecimento ilícito sob o governo de Ben Ali será investigado. ''Qualquer um que acumulou enorme riqueza ou é suspeito de corrupção será colocado perante um comitê de investigadores'', disse.
Cerca de mil pessoas foram às ruas ontem para protestar pela dissolução do Reagrupamento Constitucional Democrático (RCD), o partido do ditador deposto, e expressar esperança de que o novo governo não incluísse nenhum de seus principais nomes.
O RCD é o partido onipresente há décadas no país, que ainda ocupa todos os níveis do poder nas administrações central, estaduais e municipais. O Exército e a polícia reagiram com gás lacrimogêneo e canhões de água e atiraram para o ar para tentar dispersar o novo protesto, que percorria a Avenida Habib Burguiba, no centro da capital.
Os manifestantes gritavam palavras de ordem como ''Abaixo o RCD'' e ''Fora o partido da ditadura'' e tentavam se dirigir à sede central da legenda, situada perto da Avenida Burguiba. Eles avançaram, contudo, apenas umas centenas de metros quando as forças de segurança iniciaram a ofensiva.

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