Preferimos o inferno de Saddam
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de maio de 2004
Paul Peachey<br>France Presse 
Abu Ghraib, Iraque - Agitando fotografias e pedaços de papel onde inscreveram números de detentos, centenas de iraquianos enfurecidos esperavam ontem a hipotética libertação de um familiar preso no sinistro centro de detenção de Abu Ghraib.
Centro de torturas e de execução sob o regime de Saddam Hussein, esta prisão se tornou nos últimos dias o símbolo da ocupação americana, depois da revelação dos maus-tratos sofridos pelos prisioneiros.
''Preferimos o inferno de Saddam ao paraíso de George W. Bush (o presidente dos Estados Unidos)'', afirma Haidar Hassan, cujo irmão Ahmad, 25 anos, está preso há quatro meses depois de ter sido detido perto do lugar onde explodiu uma bomba artesanal.
Libertações são concedidas regularmente, mas não acalmam os ânimos das famílias conglomeradas ao redor do imenso complexo penitenciário, muitas das quais declararam vir todos os dias há meses, em vão. Ontem, a indignação crescia entre a multidão, após as revelações sobre as torturas infligidas aos presos iraquianos em Abu Ghraib. Na época de Saddam Hussein, milhares de prisioneiros políticos foram torturados e executados na prisão de Abu Ghraib.
Somente em 1984, 4.000 detentos foram executados. De acordo com o site internet americano (www.globalsecurity.org), muitos opositores ao regime de Saddam Hussein, principalmente xiitas e curdos, foram utilizados como cobaias nos programas de armas químicas e biologicas desenvolvidos durante a ditadura.


