Prefeitura chinesa anula decreto pró-fumo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de maio de 2009
Raul Juste Lores<BR> Folhapress 
Pequim, China - Uma prefeitura chinesa precisou anular ontem um decreto que obrigava seus funcionários públicos a fumarem mais para ajudar a reanimar a combalida economia local. Por um mês, a prefeitura de Gongan, na Província de Hubei, na região central da China, determinou que todos os empregados locais, incluídos professores, fumassem 230 mil maços da marca de cigarro local até o fim do ano.
A força-tarefa visava aumentar a arrecadação de impostos e estimular nossa economia, reconheceu um funcionário do Departamento Municipal de Cigarros da Prefeitura, Chen Nianzu, a um jornal oficial de Hubei.
A excentricidade era maior porque previa um gasto mínimo por repartição em cigarros, com orçamento municipal. O excesso tabagista seria pago com dinheiro público. Quem fumasse cigarro produzidos em outras Províncias poderia ser multado. Em uma inspeção no mês passado, fiscais descobriram no lixo de uma escola secundária maços de cigarros de outra região. A escola foi advertida e pode receber até multa -perder 1000 yuans (o equivalente a R$ 340) de seu orçamento.
A lei municipal causou escândalo na internet chinesa e a prefeitura colocou em seu site um comunicado sucinto dizendo que o decreto fica sem efeito, sem dar mais detalhes.
O movimento contra o fumo ainda passa longe da China. Há 350 milhões de fumantes no país (contra 14 milhões no Brasil). Seis entre cada dez homens adultos na China fumam.
A população fumante na China é maior que todos os habitantes de Brasil, México e Argentina juntos. São raríssimos os fumódromos ou os espaços para os não fumantes em restaurantes ou bares. Karaokês e lanchonetes vivem enfumaçados.
O cigarro é monopólio estatal. A arrecadação com impostos sobre o tabaco chegou a US$ 45 bilhões no ano passado. Parte da indústria do cigarro está nas mãos das Forças Armadas chinesas, o Exército de Libertação do Povo.


