Prédios históricos cairão, diz Berlusconi
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quarta-feira, 08 de abril de 2009
Marcelo Ninio<br>Enviado especial 
L'áquila, Itália - Três dias depois do terremoto que devastou a região central do País, a Itália começou ontem a enterrar os seus mortos, que chegaram a 272, enquanto tinha uma ideia mais clara dos danos irreversíveis ao rico patrimônio histórico local.
Em visita a L'áquila, uma das cidades mais atingidas pelo tremor e que guarda dezenas de construções de inestimável valor artístico e histórico, o premiê italiano, Silvio Berlusconi, admitiu que muitas delas estão condenadas e terão que cair para ser reerguidas.
''L'áquila é uma cidade não só ferida, mas em condições dramáticas, com edifícios de grande valor histórico destruídos'', disse Berlusconi. ''Eles terão que ser derrubados e reconstruídos pelo projeto original''.
Mais de 10 mil construções foram danificadas ou destruídas na região, segundo estimativas iniciais. Segundo Agostino Miozzo, da Defesa Civil, a reconstrução pode levar anos.
Berlusconi, que recusou ajuda humanitária internacional, disse que outros países poderão contribuir na restauração do patrimônio histórico. A ideia foi mencionada na conversa que o premiê teve na terça-feira com o presidente americano, Barack Obama.
Nos últimos dias, equipes dos bombeiros e da defesa civil tentaram reforçar as estruturas de prédios históricos para evitar que desabassem. Em muitos casos, porém, os tremores secundários tornaram a tarefa impossível -como na igreja Santa Maria do Sufrágio, do século 18, cujo domo desmoronou em etapas, expondo detalhes que antes só se podia enxergar de seu interior.
''O nível de destruição chegou a um ponto em que é melhor remover partes inteiras da igreja para tentar reaproveitá-las'', disse o engenheiro Ennio Schilachi, da Defesa Civil, pouco depois de inspecionar o domo de perto pendurado por um guindaste.
Não é preciso mais do que uma breve caminhada pelo centro histórico de L'áquila para perceber que pouquíssimos prédios escaparam ilesos. ''Achei que o terremoto havia afetado somente as casas velhas quando olhei do helicóptero, mas agora estou vendo que não há nenhuma casa inteira'', disse Berlusconi, que levou um susto pouco antes de uma entrevista, quando um novo tremor sacudiu L'áquila. Foi uma das muitas réplicas ocorridas desde o terremoto de segunda.
Após ser criticado por ter dito aos desabrigados que a experiência deveria ser vista como ''um camping de fim de semana'', Berlusconi anunciou que uma nova cidade será erguida ao lado de L'áquila. De acordo com cálculos preliminares do governo, os prejuízos chegam a US$ 1,6 bilhão.
Para as cerca de 17 mil pessoas abrigadas nos 31 acampamentos, além da perda de parentes e amigos, há a angústia para saber quando poderão voltar a suas casas -se isso for possível.


