PREÇO DO GÁS - Brasil e Bolívia travam disputa por preço do gás
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de julho de 2006
France Presse 
La Paz - A petroleira estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e a brasileira Petrobras travam uma disputa envolvendo o tema do gás: a primeira quer dobrar o preço, e a segunda resiste a essa medida, exigindo que sejam respeitadas as cláusulas de um contrato de 20 anos assinado em 1999.
Ao fim da segunda rodada de negociações entre YPFB e Petrobras, ontem, na cidade boliviana de Santa Cruz, as empresas mostraram posições divergentes sobre o assunto. Alegando a alta meteórica da cotação internacional do petróleo, a YPFB sugeriu 7,5 dólares por milhão de BTU, contra pouco menos de 4 dólares, o que o Brasil paga atualmente.
A Petrobras se recusou a revisar os procedimentos de reajuste do preço do gás que importa da Bolívia, sob o argumento de que as tarifas são reajustadas gradual e permanentemente, influenciadas pela cotação internacional, como determina o contrato de compra e venda assinado há sete anos.
Segundo um comunicado divulgado na tarde de ontem pela Petrobras, os preços vigentes sofreram ajustes contínuos e se adequaram ao movimento do mercado internacional, o que dispensa a revisão do procedimento de cálculo desses reajustes''. A empresa brasileira baseou sua decisão no fato de que o mercado internacional ''não sofreu alterações significativas, que comprometam os valores acertados (no contrato que vai até 2019) e possam prejudicar a YPFB''.
O encontro de Santa Cruz foi o segundo de uma série que prevê pelo menos outras duas reuniões, uma de nível técnico, prevista para o fim do mês no Rio de Janeiro, e outra de nível político e que, possivelmente, será definitiva, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales.
Incentivada pela nacionalização dos hidrocarbonetos, em maio passado, e pelo aumento do preço do gás acertado no fim de junho entre os presidentes boliviano e argentino, a YPFB anunciou que irá fazer oposição aos argumentos da Petrobras na reunião do Rio de Janeiro. A empresa boliviana disse esperar que nessa reunião sejam discutidos ''os preços internos dos combustíveis no Brasil, que superam de forma crescente o preço do gás importado da Bolívia''.
A YPFB considerou objetivo cumprido o fato de o tema dos preços ter sido discutido em Santa Cruz. No começo da semana, o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz, estimou que as eleições gerais de 1º de outubro no Brasil irão prolongar a negociação. ''Obviamente, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva não quer perder votos com essa negociação'', comentou.
Caso fracasse em seu objetivo, a Bolívia não descarta a possibilidade de apresentar uma demanda a um árbitro internacional. O Brasil importa da Bolívia uma média 25 milhões de metros cúbicos de gás por dia, volume com o qual atende 8% de sua demanda energética. A Petrobras administra 14,5% das reservas bolivianas de gás, a segunda mais importante da América do Sul: 1,55 trilhão de metros cúbicos.


