Associated Press
De Londres
Adversários de Augusto Pinochet tentavam ontem impedir que ele seja repatriado para o Chile por razões humanitárias. O prazo estabelecido pelo Ministério do Interior britânico para apresentação de recursos contra a provável concessão do benefício a Pinochet encerra-se às 17 horas locais (15h de Brasília) da terça-feira. Organizações de direitos humanos e a Justiça de países que pediram à Grã-Bretanha a extradição do general – Espanha, França, Suíça, Suécia e Bélgica – terão de enviar suas alegações a Londres sem que tenham acesso ao sigiloso relatório médico que recomenda a libertação de Pinochet sob o argumento de que ele é clinicamente incapaz de suportar um julgamento.
Partidários do ex-ditador esperam que o ministro da Justiça, Jack Straw, anuncie oficialmente a libertação de Pinochet já na terça-feira. Um avião da Força Aérea chilena chegou ontem a Londres para levar Pinochet.
Em Madri, o juiz Baltasar Garzón, responsável pela ordem de prisão que levou as autoridades britânicas a capturar Pinochet em outubro de 1998, preparava ontem alegações para apresentar à Justiça britânica. Mas o governo espanhol não tem intenção de fazer tramitar as alegações de Garzón.
Organismos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional, Redress Trust e Care criticaram a decisão do governo britânico de não divulgar o relatório médico e pediram a realização de novos exames.
Além de ter sofrido dois derrames, o ex-ditador sofre de diabete e problemas cardíacos que o obrigaram a implantar um marcapasso. Mas fontes de imprensa da Grã-Bretanha destacaram ontem que foram as deterioradas condições mentais do ex-ditador que levaram Straw a inclinar-se pela libertação.

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