Os esforços diplomáticos para evitar os ataques aéreos da OTAN se intensificaram ontem, em Rambouillet (perto de Paris), 24 horas antes de expirar o prazo para se chegar a um acordo de paz sobre a província sérvia de Kosovo.
O ministro britânico das Relações Exteriores, Robin Cook, que preside as negociações, junto com seu colega francês Hubert Vedrine, tenta persuadir os negociadores sérvios e kosovares de que cheguem a um acordo sobre um projeto de plano de paz até o meio dia de hoje, quando vence o ultimato do Grupo de Contato sobre a ex-Iugoslávia (integrado pela Alemanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália e Rússia).
O plano do Grupo de Contato se baseia na mobilização de uma ‘‘força de aplicação’’ de 30.000 homens que seria responsável por desarmar as forças rebeldes, assim como as unidades de segurança sérvias em Kosovo. Milosevic se opõe energicamente a esse ponto.
Uma fonte européia bem informada quanto as negociações indicou que é provável que a OTAN ataque alvos militares sérvios em 48 horas depois que expirar o prazo. Funcionários do Pentágono disseram que, se for dada a ordem, os ataques aéreos poderão começar com uma salva de mísseis de cruzeiro Tomahawk disparados de navios da marinha norte-americana.
Os dois adversários, que estão reunidos no castelo desde o dia 6, examinavam ontem uma versão revisada do projeto de plano de paz elaborado pelo Grupo de Contato. ‘‘Existe a impressão de que se está chegando ao final, de modo que agora há um pouco mais de tensão’’, declarou o emissário norte-americano Christopher Hill, um dos três mediadores que dirigem as negociações.
Aparentemente, a delegação kosovar está ‘‘furiosa’’ porque o plano revisado enfatiza a integridade territorial da Iugoslavia Federal e sua autoridade sobre a província de Kosovo, habitada fundamentalmente por pessoas de origem albanesa. ‘‘Nenhuma de nossas sugestões foi incluída no rascunho, mas foi colocado tudo o que os sérvios queriam’’, disse uma fonte albanesa bem informada.

mockup