Prazo da ONU expira hoje e Ahmadinejad desafia AIEA
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quinta-feira, 27 de abril de 2006
Folhapress 
São Paulo - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou ontem que seu país manterá as atividades de enriquecimento de urânio, apesar das exigências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). ''Nós obtivemos a tecnologia para produzir combustível nuclear (...). Ninguém pode tirar isso de nossa nação'', afirmou Ahmadinejad.
As declarações foram dadas um dia antes de a AIEA entregar ao Conselho de Segurança (CS) da ONU um relatório sobre a questão. Hoje expira o prazo de 30 dias dado pelo CS para que o Irã abandonasse o enriquecimento de urânio.
A expectativa é que Mohamed ElBaradei, chefe da AIEA diga ao conselho que o Irã não cumpriu as exigências impostas pelo CS há um mês. ''É difícil imaginar que o diretor-geral (da AIEA) possa divulgar um relatório positivo nesta sexta-feira'', previu o embaixador americano na AIEA, Gregory Schulte.
Ontem, a Rússia e a China reiteraram seu apoio a uma solução diplomática para o conflito. ''Nós somos contra a proliferação de armas de destruição de massa, incluindo as que possam ser fabricadas pelo Irã'', afirmou o presidente russo, Vladimir Putin. ''Mas acreditamos que o Irã deve ter a oportunidade desenvolver um programa nuclear pacífico'', disse.
''Uma solução diplomática inclui várias maneiras de reagir. Nós discutiremos o assunto com nossos parceiros europeus, com os Estados Unidos e com a comunidade internacional'', afirmou Putin, deixando claro que qualquer tipo de resposta deverá ser coordenada.
Em suas declarações, Putin não deixou claro, no entanto, se seu país se oporia a eventuais sanções impostas pelo Conselho de Segurança devido ao não-cumprimento do Irã às exigências.
A China não deu sinais de que pretende se alinhar aos países ocidentais na imposição de sanções contra o Irã. O ministro chinês das Relações Exteriores pediu ''calma'' em Pequim. ''Uma solução diplomática é a escolha correta, e o melhor para o interesse de ambas as partes'', afirmou o porta-voz do ministério, Qin Gang. ''A China pede que ambas as parte evitem tomar medidas que piorem a situação.''
O Irã alega que seu programa nuclear é pacífico, mas se recusa a abandonar as atividades de enriquecimento de urânio que pode ser utilizado tanto para fabricar armas nucleares como para abastecer usinas.
Os Estados Unidos, apoiado pelo Reino Unido e pela França, é a favor da adoção de sanções limitadas contra o país caso o Irã continue a se recusar a suspender o enriquecimento de urânio.
No entanto, a Rússia e a China, que têm poder de veto no Conselho de Segurança, se opõem a qualquer tipo de sanção. Consequentemente, os países ocidentais não poderão impor restrições ao Irã na próxima semana.


