Powell busca consenso sobre o Iraque
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de fevereiro de 2001
France Presse Do Cairo 
O secretário de Estado americano Colin Powell declarou ontem ter ido ao Oriente Médio para tentar obter um consenso sobre a reativação das sanções contra o Iraque e os melhores meios para conter as ações desse país.
Existem algumas críticas ao que fizemos, declarou Powell aos jornalistas que o acompanham na viagem de quatro dias, iniciada no Cairo, em referência aos recentes bombardeios dos subúrbios de Bagdá por parte dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Powell afirmou não querer que discussões sobre o embargo contra o Iraque dificulte as eventuais ações militares contra esse país.
Se isso significar que minha viagem será um pouco mais difícil, estou pronto para assumir essa carga suplementar, declarou Powell.
Os Estados Unidos buscam coordenar as sanções contra o Iraque para impedir o reinício de seu eventual reamarmento.
Powell disse que a intenção americana é convencer o mundo árabe e a ONU de que as sanções não se dirigem contra o povo iraquiano e sim visam impedir que Bagdá tenha armas de destruição maciça.
Ontem à tarde, Powell reuniu-se com o ministro russo das Relações Exteriores, Igor Ivanov, e depois com seu colega egípcio Amr Mussa para conferenciar mais tarde com o presidente egípcio Hosni Mubarak, segundo a embaixada americana.
O polêmico projeto de um escudo míssil antimíssil (NMD) americano, ao qual os russos se opõem energicamente, foi o principal tema discutido pelos dois estadistas.
A conferência entre Ivanov e Powell, a primeira entre ambos, acontece num momento em que as relações entre seus países atravessam águas turbulentas. Outro tema de discórdia são as críticas russas aos bombardeios contra o Iraque.
Powell declarou desejar discussões francas e abertas com o chanceler russo, pois acredita na possibilidade de cooperação entre ambos países. Existem meios para que nossos países cooperem, enfatizou Powell.
Em seu encontro com o presidente Mubarak, por sua vez, Powell esforçou-se em obter o apoio do Egito para relançar as discussões israelense-palestinas e evocar a possibilidade de uma revisão das sanções contra Bagdá com o objetivo de obter certo consenso na coalizão contra o presidente do Iraque, Saddam Hussein.
A reunião em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense eleito, Ariel Sharon, o atual primeiro-ministro Ehud Barak e o presidente de Israel, Moshé Katsav, estava prevista para ontem à noite.
No Cairo, Powell afirmou estar certo de que as negociações de paz entre Israel e os palestinos serão reiniciadas, sem anunciar uma data.
Não há outra possibilidade a não ser retomar as negociações, disse Powell aos jornalistas que o acompanham na viagem pelo Oriente Médio.
Para Powell, os israelenses e os palestinos deverão começar reduzindo a violência, retomar a cooperação em termos de segurança e tratar da questão do bloqueio aos territórios palestinos, incluindo a entrega por parte de Israel dos impostos sobre produtos destinados aos palestinos que transitam por seus postos.
Quando estas três questões estiverem a caminho de um acerto e a situação se estabilizar, então começaremos a saber onde estamos pisando, declarou Powell.
Veremos então em que ponto as negociações serão retomadas e sobre que base e nível (israelenses e palestinos) estão dispostos a negociar, acrescentou.
Hoje, Powell se entrevistará com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, que chegou ontem, de madrugada a Amã, proveniente de Atenas, para coordenar a posição palestino-jordaniana antes dessa reunião.


