O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse ontem que chegou ''o momento de agir'' para desarmar o Iraque. Ele pediu que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se posicione sobre os próximos passos da crise pouco depois de um relatório dos chefes de inspetores da organização, previsto para 7 de março.
''Este é o momento de agir. As evidências são claras. Eles (Iraque) são culpados... Estamos atingindo o ponto no qual graves consequências devem ocorrer'', disse Powell, em Tóquio, após encontro com o premiê Junichiro Koizumi.
Powell evocou o termo usado em resolução de novembro do conselho, que determina que o Iraque deve cooperar totalmente com os inspetores ou enfrentar ''graves consequências'', o que, para os EUA, significa uma ação militar.
As declarações de Powell podem servir de indicação do cronograma de Washington para a crise iraquiana. ''Não teremos um período longo entre a apresentação da resolução (no Conselho de Segurança) e sua votação'', disse. ''O Iraque ainda não está obedecendo e o Conselho de Segurança deve mostrar sua relevância ao insistir que o Iraque se desarme ou que seja desarmado por uma coalizão.''
Depois da visita ao Japão, Powell foi a Pequim, onde tenta garantir o apoio da China à posição dos Estados Unidos.
O secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse na semana passada que as tropas dos EUA e do Reino Unido já estão prontas para atacar o Iraque. Os militares querem começar a guerra até abril devido às altas temperaturas no país a partir de maio, o que pode prejudicar as tropas que teriam de usar equipamento para se proteger da ameaça de armas químicas.
Os EUA, apoiados pelo Reino Unido, enfrentam a oposição dos outros três membros permanentes e com direito a veto do conselho França, Rússia e China em sua busca por uma nova resolução autorizando o uso da força para desarmar o Iraque. Os três argumentam que os inspetores devem ter mais tempo para agir. A maior oposição vem da França.
O presidente iraquiano, Saddam Hussein, reiterou que o Iraque possui a capacidade necessária para enfrentar qualquer ''agressão'' americana. ''Os americanos são capazes de destruir edifícios e construções, mas não conseguirão humilhar o Iraque'', declarou. ''O povo iraquiano não defende apenas o Iraque, mas também a nação árabe, sua segurança e sua independência.''
Já, em Kuala Lumpur, Malásia, os ministros das relações exteriores dos 114 países do Movimento dos Não-Alinhados rechaçaram uma intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque. Em alguns países aconteceram manifestações a favor da paz, como em Nepal. Em Katmandu, pacifistas acenderam 50 mil lâmpadas em um apelo contra a guerra.

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