Pouca abstenção aumenta o suspense
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
Sinais de um comparecimento expressivo de eleitores às urnas durante a manhã em praticamente todo o país mantinham vivas as esperanças de vitória dos dois principais candidatos à presidência dos Estados Unidos, o vice-presidente Albert Gore, do Partido Democrata, e seu rival republicano, o governador do Texas, George W. Bush, no começo da noite de ontem.
Uma forte presença de eleitores tradicionalmente favorece os democratas e pareciam reforçar a tendência de crescimento de Gore no final da campanha. Ao iniciar-se a votação, as enquetes Zogby e CBS punham o candidato democrata com 48% das intenções de voto, ou 2 pontos e 1 ponto percentuais à frente de Bush, respectivamente. O Instituto Gallup dava os dois contendores empatados com 47% cada um. E, na derradeira sondagem do Washington Post, a vantagem do candidato republicano encolhera de 3 para 1 ponto.
Com o desfecho da mais disputada eleição à Casa Branca em 40 anos ainda imprevisível faltando apenas horas para o início da apuração nos estados da Costa Leste, os dois campos concentravam praticamente todas as suas expectativas na Flórida, que, com seus 25 votos eleitorais, parecia deter a chave para determinar o vencedor da briga pela maioria de 270 votos do colégio eleitoral que, tecnicamente, decide o pleito.
Acho que quem vencer a Flórida, vencerá a eleição, disse no início da tarde o cientista político Thomas E. Mann, da Fundação Brookings. Bush, que votou cedo com sua mulher, Laura, no tribunal do condado de Travis, a apenas uma quadra de sua residência oficial de governador, em Austin, disse que estava calmo e comparou a campanha a uma maratona. Um corredor de maratona precisa estar bem preparado e focalizado e acho que nossa campanha foi disciplinada.
O governador parecia relaxado mas não estava tão sorridente quanto no seus dois comícios finais, na véspera, quando irradiava confiança na vitória. Ele contou que havia telefonado para seus pais logo cedo para dizer-lhes que estou bem e que acho que teremos uma noite boa. Para os pais de Bush, o ex-presidente George H. Bush e a ex-primeira-dama Barbara, que foram alijados da Casa Branca por Bill Clinton em 1992, o triunfo do filho teria um sabor especial.
Gore votou em Carthage, Tennessee, sabendo que sua melhor chance de sucesso era uma apertadíssima vitória de virada no colégio eleitoral, baseada em aproximadamente 15 dos estados mais populosos, mostrou-se confiante.
Uma vitória de Bush seria inevitavelmente interpretada como um sinal da importância da personalidade do candidato sobre a substância dos temas discutidos numa campanha que o colunista do New York Times, Frank Rich, classificou como uma das mais estranhas que já vi. Significaria, também, pelo menos aos olhos dos conservadores, um referendo sobre Bill Clinton e seu deplorável comportamento no episódio Mônica Lewisnky.
Um triunfo de Gore validaria a tese de cientistas políticos como Mann, segundo a qual o povo americano tende a rejeitar o partido da oposição em períodos de prosperidade econômica, especialmente quando o candidato da situação parece estar ideologicamente mais bem sintonizado com a maioria da opinião pública em questões como educação, saúde, previdência social e política fiscal, que são as que mais interessam os eleitores.


