São Paulo - Representantes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU reuniram-se ontem em Londres, sem chegar a um acordo sobre formas de pressão que levem o Irã a abandonar o enriquecimento de urânio.
As discussões foram ''construtivas'', disse o britânico John Sawer, termo que no jargão diplomático significa a persistência de divergências sérias. Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, reconheceu inexistir, por enquanto, um acordo apesar ''de grandes progressos na definição de pacotes de sanções e recompensas'' destinadas ao regime iraniano.
Participaram do encontro assessores dos chanceleres da Rússia, do Reino Unido, da China, da França e dos EUA, além da Alemanha.
O impasse é o mesmo desde o final de abril. Moscou e Pequim se opõem a sanções ou a pressões que possam isolar Teerã. Já Washington quer sinalizar sanções econômicas, posição também defendida por Londres e Paris.
Os participantes do encontro de Londres não fixaram uma nova reunião. Afirmaram que pretendem agora informar seus governos e sugerir que, da próxima vez, a negociação se dê entre ministros.
O Irã argumenta que trabalha pelo controle do ciclo nuclear com finalidades civis- a construção de usinas termoelétricas. Mas, com base em pesquisas para o enriquecimento de urânio não reveladas à Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, cresceu a suspeita de que ele busque uma bomba.
Segundo o rascunho de uma proposta de consenso, a União Européia está disposta a ajudar o Irã a construir vários reatores nucleares de baixa potência e a estabelecer um banco de combustível nuclear, se o governo de Teerã garantir que não desenvolverá armas nucleares.
Antes da reunião, o presidente Mahmud Ahmadinejad declarou que o Irã controla a totalidade do ciclo do combustível nuclear e responderá qualquer agressão com uma ''bofetada histórica''.
''Irã controla hoje a totalidade do ciclo do combustível nuclear, de A a Z, graças aos jovens cientistas iranianos'', declarou Ahmadinejad durante um discurso pronunciado em Joramshahr, cidade situada em província que faz fronteira com o Iraque
''Nossos inimigos querem confabular e dividir os iranianos para impedir que o povo obtenha seus direitos. Estes inimigos tentarão, por meio de pressões políticas e utilizando as organizações internacionais, impedir que o Irã obtenha a totalidade de seus direitos legítimos. Porém, sabem que não podem nos infligir danos'', afirmou o conservador.

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