Potências e Teerã retomam diálogo nuclear
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Samy Adghirni<br>Folhapress 
Teerã - A primeira rodada de negociações acerca do programa nuclear iraniano desde a eleição do pragmático Hasan Rowhani à Presidência da república islâmica, em junho, começou ontem em Genebra.
O ambiente das conversas é de "otimismo cauteloso", segundo disseram tanto fontes do Irã como do grupo conhecido como P5 + 1, que inclui as cinco potências do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) mais a Alemanha.
No início da reunião, a delegação iraniana fez uma apresentação de PowerPoint que durou cerca de uma hora, na qual formalizou sua proposta de plano em três etapas para convencer o Ocidente de que enriquece urânio apenas para fins medicinais e energéticos.
O teor da proposta não foi divulgado. Mas, segundo a TV estatal de Teerã, a república islâmica ofereceu diminuir o grau de enriquecimento de urânio, atualmente em 20%, nível que permite saltar com facilidade para os 90% necessários à bomba atômica.
A diminuição da pureza do urânio processado pelo Irã é uma das maiores exigências das potências ocidentais, que também querem inspeções nucleares mais intrusivas no Irã.
Pela primeira vez, conversas ocorrem em inglês, o que foi visto como mais um aceno iraniano em direção ao Ocidente.
Desde que chegou ao poder, o presidente Rowhani vem se dizendo disposto a fazer importantes concessões nucleares para convencer o Ocidente a levantar sanções que empobrecem a população e impedem Teerã de arrecadar dinheiro com a exportação de petróleo.
Não está claro se o Ocidente está disposto a levantar rapidamente as punições.
Nos EUA, fonte das sanções mais severas, o presidente Barack Obama precisa do apoio do Congresso para aliviar a pressão contra Teerã. Mas predomina entre parlamentares a ideia de que o Irã deve suspender totalmente seu programa nuclear antes de pleitear o fim do cerco econômico.


