Cairo - O ex-ditador egípcio Hosni Mubarak, de 85 anos, deve ser solto da prisão nos próximos dois dias, de acordo com seu advogado. A informação não foi confirmada pelo governo interino de Adly Mansour.
Se realizada, a soltura será vista como de forte conotação política. Vindo da Aeronáutica, Mubarak era o bastião do poder militar até sua queda e perseguiu a Irmandade Muçulmana ao longo de seus 30 anos de poder.
É possível que ele seja mantido preso por mais duas semanas, segundo procedimentos judiciais. Seu advogado diz que restam só trâmites burocráticos, pois ele teria sido inocentado em uma acusação de corrupção.
Desde sua deposição, em fevereiro de 2011, Mubarak enfrenta uma série de acusações, incluindo participação na repressão contra os manifestantes que pediam sua renúncia, reunidos na icônica Praça Tahrir, no Cairo.
Sua libertação pode levar a uma nova onda de indignação na população. Mas, com o país concentrado nos embates violentos com islamitas, a notícia da iminência de sua soltura não parece ter causado grande furor.

Morsi
Ontem foi anunciada nova acusação contra Mohamed Morsi, que terá detenção estendida por mais 15 dias.
Acusado de homicídio e de ligação com o Hamas, ele responderá agora por cumplicidade na violência contra as manifestações.
Morsi foi deposto em 3 de julho por um golpe militar.
Primeiro presidente eleito democraticamente no Egito, sua queda simbolizou para os islamitas um recuo nas conquistas democráticas.

Constituição
Fontes ouvidas pelo jornal Ahram dizem que um novo rascunho da Constituição será apresentado amanhã, incluindo um trecho que impede a existência de partidos com base religiosa. A modificação que pediria o banimento do Partido Nacional Democrático, de Mubarak, deve ser cancelada. Há a expectativa de que a Irmandade Muçulmana volte a ser considerada ilegal.
Após o golpe de julho, o presidente interino Adly Mansour criou um comitê para fazer emendas à Constituição. Elas serão revisadas por outra comissão. Após a revisão, o texto irá a referendo, abrindo caminho para eleições parlamentares.

Ataque
Um ataque de militantes no deserto do Sinai deixou ontem ao menos 24 policiais mortos e três feridos. De acordo com fontes de segurança, um veículo foi atingido por lançadores de granada, próximo à passagem de Rafah rumo à faixa de Gaza.
A região norte do Sinai tornou-se, com a deposição de Mohamed Morsi um território de difícil controle. As passagens para Gaza foram fechadas, com o fluxo de militantes da facção palestina Hamas, pró-Morsi.
O ataque contra a polícia ocorreu um dia depois da morte de 36 prisioneiros islamitas, no Egito, durante suposta tentativa de fuga. Segundo o governo interino, eles morreram asfixiados por gás lacrimogêneo, enquanto as forças de segurança controlavam a situação de embate.

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