de Quito
O Congresso equatoriano elegeu na madrugada de ontem o ex-presidente da casa Fabián Alarcón para ocupar interinamente a presidência da República. A posse deu-se imediatamente após a eleição, na mesma sessão parlamentar.
Alarcón conseguiu o voto favorável de 57 dos 82 deputados - 2 além do mínimo necessário para que pudesse ser nomeado presidente. Ele deve agora convocar eleições gerais em um ano e entregar o poder ao novo presidente em 1998.
Ainda durante a madrugada, Alarcón foi ao Palácio de Carandolet, sede da presidência, para revogar a última medida da ex-presidente em Exercício Rosalía Arteaga, que horas antes havia convocado uma consulta popular sobre reformas constitucionais, renunciando em seguida.
Alarcón cancelou também as medidas econômicas, contra as quais os sindicatos convocaram uma greve geral de protesto, decretadas por Abdalá Bucaram - o presidente destituído na quinta-feira pelo Congresso por ‘‘incapacidade mental’’ para governar.
Ontem à tarde, Alarcón foi ao Estádio Atahualpa, de Quito, onde o Equador goleou o Uruguai por 4 a 0 pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
Hábil negociador Fabián Alarcón, eleito presidente do Equador, é um político conhecido por ser um hábil negociador.
O líder do Congresso, 49 anos, foi até há pouco tempo um determinado aliado do deposto presidente Abdala Bucaram. Ele chegou até mesmo a ser considerado para se tornar o vice de Bucaram nas eleições do ano passado.
Alarcón acompanhou Bucaram durante a campanha, ficando firmemente ao lado dele enquanto o excêntrico populista insultava oponentes políticos ou cantava músicas populares.
Ainda assim, ele não hesitou na semana passada em incitar 4 mil manifestantes a tomar pela força o palácio presidencial de Carondelet, onde Bucaram estava entrincheirado desafiando um crescente coro de pedidos para sua remoção.
Alarcón, o líder da pequena Frente Radical Alfarista, de centro-direita, exerceu por três vezes consecutivas o cargo de presidente do Congresso e foi vice-presidente em exercício em 1995 quando o então vice-presidente Alberto Dahik fugiu do país após ser acusado de corrupção. Seu partido controla apenas três das 82 cadeiras do Congresso.
Partidários de Bucaram acusam-no de ser um político oportunista, sem força moral, que renegou seu antigo aliado para agarrar a presidência. ‘‘Quem não é leal a um amigo não será leal ao país’’, afirmou o congressista pró-Bucaram Marco Proano.
Críticos no Congresso o apelidaram de ‘‘o dançarino’’ por sua aparente habilidade de apoiar quem quer que esteja no poder.
Graduado em ciência política pela Universidade Católica de Quito, Alarcon nasceu em 14 de abril de 1947, em Quito.

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