Portugueses elegem novo presidente amanhã
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sábado, 21 de janeiro de 2006
Daniel Silva<br> France Presse 
Lisboa - Vinte anos depois de sua incorporação à União Européia e do consequente desenvolvimento econômico, Portugal, que escolhe um novo presidente amanhã, vive hoje em dia com o índice de crescimento abaixo de 1% e sob taxas de desemprego que se agravam constantemente.
Pelo sexto ano consecutivo, o crescimento de Portugal será inferior à média de outros países membros da União Européia. Segundo os economistas, o país ibérico, ao contrário da vizinha Espanha, não soube aproveitar o grande aporte financeiro dos fundos europeus para modernizar infra-estruturas e melhorar a produtividade.
''Recebemos dinheiro e não fizemos quase nada: alguns quilômetros de estradas e algumas fraudes no setor agrícola'', escreveu o comentarista político Miguel Sousa Tavares no princípio do mês na influente revista Expresso. O quadro indicador da inovação, publicado pela Comissão Européia, coloca Portugal entre os últimos da UE, em 18º lugar, atrás de novos membros como Estônia e Hungria.
Portugal ostenta um dos índices de fracasso escolar mais altos da UE, um triste recorde que o atual presidente, Jorge Sampaio, classificou de tragédia. O sistema de ensino representa um obstáculo para o desenvolvimento do país, que corre o risco de sofrer com a ampliação da UE em direção ao leste e pela competição com novos membros com custos de produção mais baixos e melhores condições para os investidores.
Nos últimos meses, o aumento dos preços do petróleo e as medidas de correção do déficit público em mais de 6%, adotadas pelo governo socialista, pesaram muito na economia portuguesa, que vive uma desaceleração da demanda interna. Chegado ao poder nas legislativas de fevereiro passado, o governo socialista adotou um programa de estabilidade e crescimento para o período 2005/2008.
Este programa se traduz em particular pela alta do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) de 1,9 a 2,1% e um aumento dos impostos sobre combustíveis e tabaco, valendo-se ainda da harmonização das políticas de aposentadoria e de seguridade social dos funcionários com o regime comum e o congelamento das carreiras no setor público.
Para estimular a reativação, o governo anunciou ainda assim um ambicioso plano de financiamento das infra-estruturas nos setores de transporte e da energia sobretudo, como o trem de alta velocidade, um novo aeroporto em Lisboa e uma nova refinaria.
Segundo as pesquisas, que lhe apontam como grande favorito para a eleição de domingo, os eleitores acreditam que o ex-primeiro-ministro de centro-direita Aníbal Cavaco Silva, que dirigiu o país de 1985 a 1995, é o candidato mais bem preparado para enfrentar os problemas do país. O político está bem à frente dos dois candidatos socialistas.
Três de cada cinco eleitores acreditam que este professor de economia é o político ideal para ajudar o governo a lutar contra o desemprego, em alta constante há sete anos e no momento a 7,7%. Cavaco Silva dirigia o governo no momento da adesão de Portugal à CEE, um período dourado em que os fundos europeus permitiram que o país tivesse índices de crescimento superiores aos 5% anuais.


