Em sua segunda operação humanitária desde o início da rebelião militar na Guiné-Bissau, o governo português está retirando cercas de 700 estrangeiros refugiados do país. ‘‘Nesse grupo estão cerca de 70 brasileiros’’, afirmou ontem o primeiro-ministro português Antônio Guterres.
Os refugiados serão levados de barco até a cidade da Praia, capital de Cabo Verde, a 1.100 quilômetros de distância de Bissau. Após esta viagem, que vai durar 30 horas, deverão embarcar para Lisboa.
‘‘Apenas aqueles que quiserem irão para Portugal’’, contou ontem à noite o general Gabriel Espírito Santo, chefe do Estado Maior das forças armadas portuguesas. O governo português espera que os refugiados cheguem na capital portuguesa até o final desta quinta-feira.
Por falta de vôos, os refugiados brasileiros que pretenderem ir para o Brasil vão ter de ir para Portugal. ‘‘A única linha que vai de Cabo Verde para o Brasil é a Aeroflot, às quintas-feiras, e os aviões saem da Ilha do Sal. O avião da Praia para o Sal é pequeno, não funciona à noite e só leva umas vinte pessoas. Não daria tempo para os refugiados pegarem o vôo direto para o Brasil’’, afirmou o embaixador do Brasil em Cabo Verde, Romeu Zero.
A operação militar de retirada dos refugiados conta com a participação de quatro navios de guerra portugueses: uma fragata, duas corvetas e um navio de apoio. Os navios não chegaram a atracar no cais de Bissau e o transporte de refugiados para os barcos foi feita em botes de borracha. Para um refugiado que não tinha condições de saúde para ir de bote, foi enviado um helicóptero militar do navio.
Ontem à noite, as operações tiveram de ser interrompidas devido ao escurecer. ‘‘Operamos até o limite da visibilidade. Quinta-feira de manhã, às 8 horas, duas corvetas começam a navegar para a Praia e a fragata Vasco da Gama vai continuar a recolher refugiados até as 9 horas (6 horas, no Brasil)’’, disse ontem o general.
O transporte até Cabo Verde não será feito nos navios de guerra. ‘‘Os passageiros terão de fazer um transbordo para o navio de apoio, porque os navios militares deverão permanecer no porto de Bissau’’, contou o general. O navio de apoio é um barco da marinha portuguesa.
Apesar da escalada do conflito, poderá haver outras operações de retirada de refugiados. Muitos estrangeiros - incluindo dezenas de brasileiros - encontram-se no interior do país, sem condições de chegar à capital. Segundo o governo português, foi feito um apelo para as pessoas se deslocarem até Bissau para a retirada que começou ontem.Cerca de 700 estrangeiros, 70 brasileiros, devem ser retirados hoje do país por militares portugueses
France PresseJair Rattner
Especial para a AE

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