Portugal quer força de paz da ONU em Timor
O presidente de Portugal, Jorge Sampaio, fez ontem um apelo ao Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, pelo envio urgente de uma força de paz para o Timor Leste. O chefe político de Portugal disse que a medida é essencial para a estabilidade do território.
Sampaio disse aos jornalistas que conversou por telefone com Annan e que ele lhe garantiu que tomaria iniciativas junto a pessoas e organizações influentes.
A disposição imediata de Portugal era suspender as negociações atuais com a Indonésia, que anexou o ex-território de Portugal pela força em 76. Estas negociações são supervisionadas pela ONU e a próxima rodada está marcada para o dia 13 de abril, disse Sampaio.
Ele disse que um acordo para um referendo com a população do Timor Leste sobre a situação do país, marcado para o dia 22 de abril, poderia legitimar uma presença internacional patrocinada pelas Nações Unidas.
Nós sabemos que a ONU se prepara para isso, ele disse. E acrescentou: As autoridades da Indonésia deveriam assumir a responsabilidade pela onda de violência contra a população civil, realizada por milícias armadas que tentam permanentemente desestabilizar o Timor Leste.
Ele disse que o clima de violência criado pelas milícias pró-Indonésia, armadas por Jacarta, pretende minar as negociações futuras sobre o território, que estão sendo realizadas em Nova York, na sede da ONU.
O premier português Antonio Guterres acusou ontem a Indonésia de estar fornecendo armas para as milícias com obetivo de estragar as negociações.
Os embaixadores dos países envolvidos com o Timor Leste deverão se encontrar em Nova York nos dias 13 e 14 de abril. A conversa abrirá o caminho para a primeira iniciativa internacional de autonomia política para o Timor Leste e a possibilidade de acabar com a violência regional.
A Indonésia promete abandonar o território caso a população vote contra sua soberania num eventual referendo.
Denúncia O bispo Católico premiado com o Nobel da Paz, Carlos Ximenes Belo, acusou ontem as autoridades de Jacarta de apoiarem milícias, supostamente islâmicas, que chacinaram na terça-feira pelo menos 25 pessoas numa Igreja Católica, no Timor Leste. Belo deu uma entrevista coletiva ao lado do padre Rafael dos Santos, que descreveu como refugiados, a maioria timorenses católicos que estavam na paróquia dele em Liquisa, foram executados, a 30 quilômetros ao oeste da capital timorense de Dili.France PresseO líder timorense Xanana Gusmão com a enviada de Portugal, Ana GomesFrance Presse





