Lisboa - Portugal comemorou ontem o 30º aniversário da Revolução dos Cravos, que acabou com quase meio século de ditadura e abriu o caminho para a democracia e a independência das antigas colônias na África.
''Saúdo o 25 de abril com todas as letras da palavra revolução'', afirmou o deputado socialista Manuel Alegre, durante uma cerimônia solene, que contou com a presença de Xanana Gusmão, presidente de Timor Leste, antiga colônia portuguesa que conseguiu a independência da Indonésia em 2002.
''Não se pode comemorar o 25 de abril se você condena a revolução ou a descolonização'', disse Alegre, diante dos presidentes dos Parlamentos de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, que chegaram à
independência depois do golpe de Estado de 25 de abril, que acabou com 13 anos de guerras coloniais.
Todos os partidos de esquerda Socialista, Comunista, os Verdes e a extrema-esquerda criticaram o slogan escolhido pelo governo de centro-direita, ''Abril é a Evolução'', para comemorar a Revolução dos Cravos, executada por um grupo de capitães do exército.
''É um confisco da memória'', disse o deputado do Bloco de Esquerda (extrema-esquerda), Francisco Louça.
Por todo o país, a letra ''r'' foi acrescentada por anônimos aos cartazes da campanha governamental.
Ao homenagear a ''valentia generosa'' dos ''capitães de abril'', alguns dos quais compareceram ao evento, o presidente da República, o socialista Jorge Sampaio, lembrou que o ''povo português fez sua a revolução, saindo às ruas naquele dia, agitando cravos, para apoiar o golpe de Estado''.
''A ditadura que sofremos durante meio século foi uma tragédia terrível para Portugal'', lembrou.
O deputado Vitor Cruz, do Partido Social-Democrata (PSD), principal formação da base governamental, afirmou: ''A revolução, é verdade, abriu o caminho para a evolução''. Porém, os deputados de direita e centro-direita, com exceção do presidente do Parlamento, João Mota Amaral, não usavam o tradicional cravo na lapela, que simboliza o 25 de abril.

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